Emenda de Flávio Bolsonaro é investigada após intermediação de condenado no caso Marielle
Cerca de R$ 200 mil foram destinados a projeto no Rio após tratativas de assessora do senador com Robson Calixto; Polícia Federal apura suspeitas sobre os recursos
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| Emenda de Flávio Bolsonaro é investigada após intermediação de condenado no caso Marielle - Reprodução Agência Senado |
Uma emenda parlamentar de R$ 199.999,79 destinada em 2023 pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades no uso de recursos públicos destinados a organizações da sociedade civil no Rio de Janeiro.
O caso ganhou repercussão depois que investigadores encontraram, no celular de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, mensagens trocadas com uma assessora do gabinete de Flávio Bolsonaro sobre a liberação de emendas.
As informações foram reveladas inicialmente pelo O Estado de S. Paulo e pela revista piauí e posteriormente confirmadas por outros veículos, entre eles a CNN Brasil e a Folha de S.Paulo. O Sulpost reproduz aqui as informações atribuídas a essas reportagens e aos documentos da investigação, sem apresentar como conclusão própria aquilo que ainda está sendo apurado.
O caminho da emenda
Segundo a investigação, Robson Calixto procurou Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, para solicitar recursos para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop).
As mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram que a assessora teria orientado Calixto a reforçar o pedido diretamente com o senador. A emenda acabou sendo destinada ao Ministério do Esporte e posteriormente vinculada ao projeto “Jogadores do Futuro”, voltado a crianças da Zona Oeste do Rio.
A CNN Brasil informou que a PF identificou a assessora como interlocutora direta de Calixto nas tratativas. A Folha de S.Paulo também relatou que as conversas ocorreram em 2023 e envolveram a liberação de R$ 199 mil para o Ifop.
Quem é Robson Calixto
Robson Calixto, o “Peixe”, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento na organização criminosa relacionada ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Segundo as investigações do caso Marielle, Calixto atuava como elo dentro da estrutura ligada aos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, também condenados pelo crime.
É justamente essa ligação que torna as conversas sobre uma emenda parlamentar especialmente relevantes para a investigação.
O que a Polícia Federal investiga
A questão central não é simplesmente a existência da emenda. O que está sendo investigado é se recursos públicos destinados a determinadas entidades foram desviados ou utilizados irregularmente.
A Polícia Federal encontrou indícios que levaram os investigadores a analisar a relação entre operadores ligados ao grupo dos Brazão, entidades beneficiárias e parlamentares responsáveis pela indicação de emendas.
Segundo a CNN Brasil, a PF apura se recursos enviados a entidades ligadas aos irmãos Brazão foram desviados. A reportagem informa ainda que Flávio Bolsonaro não foi alvo dos mandados cumpridos na operação.
TCU também apontou indícios
Há outro elemento relevante na história.
Segundo reportagem do Estado de Minas, um relatório elaborado pelo Tribunal de Contas da União em 2025 já havia identificado indícios de irregularidades na aplicação dos recursos destinados ao projeto.
Entre os pontos levantados pelo tribunal estaria a contratação de uma empresa ligada ao próprio presidente do instituto para atividades que, segundo a apuração, não apresentariam relação direta com a execução esportiva prevista no projeto.
Essas informações são atribuídas ao relatório do TCU e à investigação oficial. O Sulpost não está afirmando que tais indícios representem, por si só, prova definitiva de desvio ou responsabilidade criminal.
O que diz Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro afirma que a emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte.
Segundo a manifestação divulgada pelo senador, a entidade beneficiária apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu valores que não foram utilizados.
Flávio também sustenta que a responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.
O ponto que o jornalismo precisa separar
É importante não confundir os diferentes fatos que aparecem nessa história.
Está documentado que houve a destinação da emenda.
Está documentado, segundo a investigação, que uma assessora de Flávio Bolsonaro manteve conversas com Robson Calixto sobre a liberação dos recursos.
Também está documentado que Calixto foi condenado no processo relacionado ao assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Já a eventual existência de desvio de recursos, participação individual em irregularidades ou responsabilidade criminal continua sendo objeto de investigação e deverá ser estabelecida pelas autoridades competentes.
Por isso, o Sulpost não afirma que Flávio Bolsonaro tenha “dado dinheiro a um assassino”. Essa seria uma conclusão que extrapolaria os elementos apresentados nas reportagens e na investigação.
O que o Sulpost registra é outra coisa: uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 200 mil foi destinada por Flávio Bolsonaro a um projeto no Rio; a Polícia Federal encontrou conversas entre uma assessora do senador e Robson Calixto sobre a liberação dos recursos; e os investigadores apuram possíveis irregularidades na utilização dessas verbas.
Fontes e transparência
Esta reportagem foi elaborada a partir de informações publicadas por outros veículos de imprensa e de informações atribuídas à investigação da Polícia Federal. As principais fontes utilizadas são:
- CNN Brasil — “Assessora de Flávio negociou emenda com condenado em caso Marielle”;
- Folha de S.Paulo — reportagem sobre as negociações da assessora de Flávio Bolsonaro;
- revista piauí — reportagem sobre a emenda e Robson Calixto;
- O Estado de S. Paulo — reportagem que revelou as conversas obtidas a partir da investigação da Polícia Federal.
O Papo reto com o Nelsão publica o conteúdo com base nas informações divulgadas pelos veículos citados e nas informações atribuídas à investigação oficial. A menção a pessoas, entidades e fatos sob investigação não constitui acusação própria do Sulpost nem antecipação de responsabilidade criminal.
O jornalismo, neste caso, é acompanhar o caminho do dinheiro, mostrar quem revelou as informações e deixar que a investigação e a Justiça estabeleçam as responsabilidades.

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