Centrais sindicais lançam campanha contra Flávio Bolsonaro e cobram votação do fim da escala 6x1
Material será distribuído nesta quinta-feira (17) e já está disponível na sede da Força Sindical Paraná
A conversa é simples: trabalhador trabalha, trabalhador produz, trabalhador paga imposto e trabalhador também tem direito de viver.
É por isso que as centrais sindicais estão colocando nas ruas uma campanha para cobrar dos parlamentares uma posição clara sobre o fim da escala 6x1 e sobre a redução da jornada de trabalho sem redução de salários.
O material começa a ser distribuído oficialmente nesta quinta-feira, 17 de setembro, mas já está disponível desde as 17h desta quarta-feira (16) na sede da Força Sindical Paraná.
E o recado do panfleto é direto: “Não vote nele”, numa referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A campanha sindical relaciona a atuação de Flávio Bolsonaro e de outros integrantes da oposição à tentativa de impedir que a proposta avance no Senado antes das eleições.
A PEC avançou na CCJ
Não estamos falando de uma proposta que está apenas no discurso. A PEC 221/2019, que trata do fim da escala 6x1, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em 2 de setembro.
O texto aprovado reduz gradualmente a jornada máxima semanal, chegando a 40 horas, estabelece dois dias de descanso semanal e mantém os salários. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Plenário do Senado em dois turnos.
O panfleto das centrais destaca justamente essa conquista e afirma que a proposta garante dois dias de descanso por semana sem redução salarial.
E foi justamente aí que veio a obstrução
Segundo declarações do líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, houve uma articulação da oposição para impedir o avanço da votação no Plenário do Senado. Entre os nomes citados por ele estão Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho.
É importante fazer a distinção: a participação de Flávio na articulação é uma acusação política feita pelos apoiadores da proposta e pelas centrais, enquanto a posição documentada de Rogério Marinho contra o texto é registrada na votação da CCJ.
Na própria CCJ, Rogério Marinho votou contra a proposta e defendeu uma alternativa diferente para a organização da jornada.
Rosângela Moro também votou contra
E tem outro nome que o trabalhador paranaense precisa conhecer. Rosângela Moro (PL-SP), deputada federal por São Paulo e esposa do senador e candidato ao Governo do Paraná, Sérgio Moro, também votou contra o fim da escala 6x1 na Câmara dos Deputados.
O voto está registrado entre os votos contrários à proposta. Levantamentos publicados após a votação colocaram Rosângela Moro entre os parlamentares que votaram contra a PEC.
Ou seja, quando o assunto é a jornada de trabalho, o trabalhador pode olhar para o voto e tirar suas próprias conclusões.
É exatamente esse tipo de informação que as centrais sindicais querem colocar na mão do trabalhador neste período eleitoral.
O movimento sindical passou a utilizar a expressão “inimigos dos trabalhadores” para identificar parlamentares que votaram contra o fim da escala 6x1 ou atuaram contra o avanço da proposta. Essa é uma classificação política das entidades sindicais, e não uma categoria institucional.
Para o trabalhador, não é apenas uma disputa de Brasília
Quem trabalha seis dias por semana e folga apenas um sabe muito bem o que significa essa escala. É acordar cedo, pegar ônibus, enfrentar trânsito, bater cartão, trabalhar o dia inteiro e voltar para casa cansado.
Quando chega o domingo, muitas vezes é preciso descansar porque na segunda-feira começa tudo novamente.
E onde fica o tempo para a família, para acompanhar os filhos? Para estudar e cuidar da saúde? Para simplesmente viver?
O próprio material das centrais chama atenção para essa realidade ao afirmar que milhões de brasileiros enfrentam jornadas exaustivas e têm pouco tempo para a família, o descanso, os estudos e a própria saúde.
O trabalhador precisa saber quem está fazendo o quê
Não cabe ao trabalhador simplesmente acreditar em propaganda de nenhum lado. Cabe olhar o voto, a declaração e a atitude de cada parlamentar.
No caso da PEC 221/2019, existem fatos objetivos:
- A Câmara aprovou a proposta.
- A CCJ do Senado aprovou o texto.
- A matéria ainda precisa passar pelo Plenário do Senado.
E existem também posições políticas documentadas.
Rogério Marinho declarou-se contrário à proposta. Rosângela Moro votou contra quando a PEC foi apreciada na Câmara. E Flávio Bolsonaro é apontado pelas centrais e por integrantes do governo como participante da articulação de oposição que dificultou o avanço da votação no Senado.
São informações que o eleitor tem o direito de conhecer antes de votar.
A campanha das centrais é um chamado à cobrança
O panfleto que começa a circular nesta quinta-feira não deixa dúvida sobre sua posição política. A mensagem convoca os trabalhadores a cobrarem cada senador e cada senadora:
“De que lado você está?”
E apresenta a reivindicação central:
- Redução da jornada e fim da escala 6x1, sem redução salarial.
As centrais também fazem um apelo eleitoral explícito: votar em senadores que apoiem o fim da escala 6x1.
Não basta discurso bonito
Na hora da eleição aparece muita gente dizendo que defende o trabalhador. Mas trabalhador também precisa perguntar: como esse parlamentar votou? O que ele apresentou e que propostas defendeu? O candidato à presidência da república do Partido Liberal (PL) tentou acelerar ou adiar a votação?
Outras questões também vão ganhando mais força nessa reta final do primeiro turno:
- Quem estava presente?
- Quem votou contra?
- Quem trabalhou para colocar a matéria em votação?
São perguntas que valem para todos os partidos e todos os candidatos. São questionamentos legítimos, pertinentes e urgentes de todas as trabalhadoras e trabalhadores do Brasil. E, no caso da escala 6x1, as posições estão colocadas.
O trabalhador não pode esquecer
A PEC ainda precisa passar pelo Plenário do Senado. Portanto, o fim da escala 6x1 ainda não está definitivamente aprovado.
O trabalhador precisa continuar acompanhando a tramitação, pressionando os senadores e cobrando transparência. Porque eleição passa. Mas a jornada de trabalho continua todos os dias.
Quem vive do próprio trabalho sabe o preço de uma hora a mais, de um dia a menos de descanso e de uma semana sem tempo para viver. Por isso, antes de votar, é importante olhar o histórico de cada candidato e parlamentar. Saber quem realmente é a favor dos trabalhadores e quem supostamente está ao lado do trabalhador e do trabalhador mas os fatos mostram ao contrário.
Papo reto é isso: trabalhador tem memória e trabalhador também sabe olhar o voto de quem decide sobre a sua vida. Muitos políticos antigamente achavam que podiam enganar o povo, porque as pessoas não acompanhavam o trabalho parlamentar e do governo, estadual e federal. Mas antigamente alguns não tinham memória, hoje nós temos a internet. Pesquise e se informe. Bolsonaro está preso.
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