Voltou a circular - Dom Orlando fala de eleição, consciência e soberania: “Nenhum poder de fora deve mandar aqui”
Trecho de homilia celebrada em Aparecida voltou a viralizar nesta quarta-feira (24). Para o arcebispo emérito, eleitor deve escolher com consciência, pensando no bem comum e na soberania do Brasil
Tem vídeo que reaparece nas redes sociais e ganha uma segunda vida. É exatamente o que aconteceu nesta semana com um trecho da homilia de Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida.
A fala foi feita no dia 7 de setembro, durante uma celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. Nesta quarta-feira, 24 de setembro, o vídeo voltou a circular com força nas redes e provocou novas discussões sobre eleições, Brasil e soberania nacional.
E é preciso ouvir com calma o que foi dito.
“Segundo o nosso coração, segundo a nossa consciência”
Ao mencionar o período eleitoral, Dom Orlando pediu aos fiéis que escolhessem seus candidatos levando em consideração o próprio coração, a consciência e o conhecimento, sempre pensando no bem de todos e no bem comum.
Depois, veio a parte que mais chamou atenção:
“Vamos defender a nossa soberania. Nenhum poder de fora, seja quem for, não deve mandar aqui. Aqui é nossa soberania, aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria.”
Não há, nesse trecho, pedido explícito de voto em Lula ou em qualquer outro candidato. O que existe é uma orientação para que o eleitor faça sua escolha de acordo com a própria consciência e uma defesa direta da soberania brasileira.
Soberania não é patrimônio de partido
E aqui está uma reflexão que merece ser feita com serenidade.
Soberania nacional não deveria ser propriedade de esquerda, direita, centro ou de qualquer candidato. É um princípio ligado à própria existência de um país: a capacidade de decidir seus caminhos sem submissão a interesses externos.
Por isso, quando Dom Orlando diz que “nenhum poder de fora” deve mandar no Brasil, ele toca em uma questão que ultrapassa uma eleição específica.
É uma palavra forte porque fala de independência. Fala de respeito. Fala de identidade.
“Aqui é nossa casa, aqui é nossa pátria”
Para quem vive do trabalho, para quem acorda cedo, pega ônibus, entra na fábrica, abre seu comércio, trabalha no campo ou batalha todos os dias para colocar comida dentro de casa, a palavra soberania pode parecer distante.
Mas não deveria.
Ela também está relacionada à capacidade de um povo decidir sobre sua economia, seus empregos, seus recursos naturais, sua indústria, sua ciência, sua energia e seu futuro.
É por isso que a fala de Dom Orlando encontrou eco nas redes sociais.
Independentemente de cada pessoa escolher este ou aquele candidato, existe uma pergunta que permanece: quem deve decidir os destinos do Brasil?
A resposta, numa democracia, precisa passar pelo povo brasileiro e pelas instituições do país.
O Brasil não é propriedade de ninguém
Tem uma coisa que aprendi na vida sindical: quando a gente fala de soberania, não está falando apenas de bandeira e hino.
Está falando também de dignidade.
É poder olhar para o nosso país e dizer: esta é a nossa casa. Aqui nós trabalhamos. Aqui nossos filhos crescem. Aqui estão nossas riquezas, nossa cultura, nossa história e nossas esperanças.
E ninguém precisa diminuir outro brasileiro para defender o Brasil.
Ninguém precisa ofender quem pensa diferente para amar a pátria.
Aliás, democracia é justamente isso: cada brasileiro poder pensar, conversar, discordar e votar segundo sua consciência.
Uma palavra que merece ser ouvida inteira
O vídeo que voltou a viralizar pode ser usado por diferentes grupos políticos para sustentar interpretações diferentes. Isso faz parte da disputa democrática.
Mas vale ouvir a mensagem inteira antes de colocar palavras na boca de quem falou.
Dom Orlando não disse “vote em Lula”. Não apontou um candidato específico.
Ele falou de consciência. Falou do bem comum. Falou de soberania. Falou do Brasil.
E terminou lembrando que este chão precisa ser cuidado porque a natureza e o mundo também estão feridos.
Talvez essa seja justamente a parte mais importante da mensagem: antes de escolher um candidato, cada brasileiro precisa pensar no país que quer deixar para os outros.
O voto é individual.
A soberania é de todos.
E o Brasil é a nossa casa.
Papo reto.

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