FIM DA ESCALA 6x1: A LUTA É DE QUEM TRABALHA

PAPO RETO COM O NELSÃO

Senado entra em semana decisiva para a redução da jornada. Boulos reforça pressão do governo pela aprovação da pauta ainda em 2026.

Nelsão da Força e o ministro Guilherme Boulos, em reunião na APP Sindicato

Tem assunto que não pode ficar restrito aos gabinetes de Brasília. O fim da escala 6x1 é um deles. Nesta semana, o Congresso Nacional pode dar mais um passo importante para mudar a rotina de milhões de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros que trabalham seis dias para descansar apenas um.

E aqui é papo reto: quem trabalha também tem direito a viver.

A pauta chegou ao Senado

A PEC 221/2019, que trata da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6x1, avançou no Congresso e agora está diante de uma etapa decisiva no Senado.

O relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à matéria e rejeitou as emendas apresentadas ao texto.

A expectativa é que a proposta seja analisada pela CCJ nesta quarta-feira, 2 de setembro. Depois, se aprovada, ainda precisará passar pelo Plenário do Senado.

Leia a reportagem da Agência Senado sobre o relatório favorável à PEC 221/2019.

Boulos coloca o governo na pressão

Um dos nomes que vêm atuando para colocar o fim da escala 6x1 no centro da agenda política é Guilherme Boulos, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Boulos tem defendido publicamente a redução da jornada e participado da mobilização do governo em torno da pauta, dialogando com parlamentares, trabalhadores e movimentos sociais.

Em maio, durante audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, o ministro foi direto ao afirmar que o compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acabar com a escala 6x1 ainda em 2026.

Na mesma ocasião, Boulos rebateu o argumento de que a redução da jornada necessariamente prejudicaria a produtividade. Segundo ele, produtividade não se consegue colocando o trabalhador exausto para trabalhar cada vez mais, mas investindo em qualificação, ciência, tecnológica o e inovação.

Confira a reportagem da Assembleia Legislativa de Minas Gerais sobre a participação de Boulos no debate.

A própria Secretaria-Geral da Presidência também colocou a discussão sobre a redução da jornada entre as atividades de mobilização e diálogo com a sociedade.

Conheça a atuação institucional de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência.

O que está em jogo?

A proposta em discussão prevê uma redução gradual da jornada máxima semanal, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de repouso semanal remunerado.

A proposta prevê:

  • Dois dias de repouso semanal remunerado;
  • Um dos dias de descanso preferencialmente aos domingos;
  • Nenhuma redução salarial em razão da diminuição da jornada;
  • redução gradual da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais;
  • posteriormente, redução para 40 horas semanais.

Não é privilégio. É tempo de vida.

Quem vive a escala 6x1 sabe o que significa.

É acordar cedo. Enfrentar transporte lotado. Trabalhar o dia inteiro. Voltar para casa cansado. Dormir. E começar tudo novamente.

Quando finalmente chega a folga, muitas vezes o corpo pede descanso e a vida fica para depois.

O tempo com os filhos fica para depois.

O encontro com os amigos fica para depois.

O estudo fica para depois.

O lazer fica para depois.

Até cuidar da própria saúde pode ficar para depois.

Não pode ser assim.

A discussão sobre a jornada não é simplesmente sobre trabalhar mais ou trabalhar menos. É sobre qualidade de vida, saúde, descanso, convivência familiar e dignidade.

A luta nasceu nas ruas

A discussão sobre o fim da 6x1 não começou dentro do Congresso.

Ela ganhou força a partir da realidade de milhões de brasileiros e brasileiras e da mobilização de trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e parlamentares.

É uma pauta que saiu das redes sociais, chegou às ruas e agora ocupa o centro do debate político nacional.

O governo federal também passou a tratar a redução da jornada como uma agenda prioritária. Em documento de balanço das ações do primeiro semestre, o governo registrou a aprovação da pauta na Câmara como uma de suas ações na área social.

Consulte o balanço apresentado pelo governo federal.

Depois da CCJ, vem o Plenário

A aprovação na Comissão de Constituição e Justiça será apenas mais uma etapa.

A PEC ainda precisará ser aprovada pelo Plenário do Senado em dois turnos. Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, são necessários 49 votos favoráveis em cada turno.

É justamente por isso que a mobilização precisa continuar.

É hora de acompanhar o voto de cada senador. É hora de cobrar. É hora de pressionar.

CHEGA!

SENADO, APROVA JÁ
O FIM DA ESCALA 6x1!

A luta é de quem trabalha

A disputa em torno da 6x1 também revela uma discussão maior sobre o futuro do trabalho no Brasil.

De um lado, trabalhadores e sindicatos defendem mais descanso, saúde, convivência familiar e qualidade de vida. Do outro, setores empresariais levantam preocupações sobre custos, produtividade e organização das atividades econômicas.

O debate precisa existir. Mas uma coisa não pode ser esquecida:

QUEM TRABALHA PRECISA ESTAR NO CENTRO DO DEBATE.

Porque estamos falando de pessoas.
De famílias.
De vidas.

E aqui, no Papo reto com o Nelsão, não tem rodeio:

TRABALHADOR NÃO QUER VIVER PARA TRABALHAR.

QUER TRABALHAR COM DIGNIDADE E TER O DIREITO DE VIVER.

Chega da 6x1.

Mais descanso. Mais saúde. Mais família. Mais vida.

Senado, faça a sua parte.

A LUTA É DE QUEM TRABALHA!

TRABALHADOR NÃO É MÁQUINA!

Trabalhar é necessário. Viver também.

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