Volvo: confiança na liderança e força da base transformam luta sindical em conquistas

Na Volvo, a história mostra que negociação forte se faz com trabalhador organizado, liderança presente e confiança na representação sindical

Na Volvo, a história mostra que negociação forte se faz com trabalhador organizado, liderança presente e confiança na representação sindical

Na luta sindical, nenhuma conquista acontece por acaso. Na Volvo do Brasil, em Curitiba, a trajetória construída ao longo dos anos mostra a importância da organização dos trabalhadores, da presença do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) na porta de fábrica e da confiança depositada nos diretores que representam a categoria.

É uma relação construída no chão de fábrica, com diálogo, mobilização, respeito e participação dos trabalhadores e trabalhadoras.

E é justamente essa força da base que dá sustentação à atuação de lideranças como Sérgio Butka, presidente do SMC, e Nelsão da Força, vice-presidente da entidade e metalúrgico da Volvo há mais de 47 anos.

Não é apenas uma questão de tempo de sindicato. É experiência acumulada na luta. Butka, aos 66 anos, segue defendendo bandeiras históricas da classe trabalhadora, entre elas a jornada de 40 horas semanais e a escala 5x2, uma defesa que acompanha sua trajetória sindical desde 1996. Em 2026, o próprio SMC voltou a destacar a luta pelas 40 horas e pelo fim da escala 6x1.

Nelsão, por sua vez, representa uma história ainda mais diretamente ligada à Volvo. São mais de quatro décadas acompanhando as transformações da fábrica, as mudanças no mundo do trabalho e, principalmente, a evolução da organização dos trabalhadores.

Uma multinacional, uma base organizada

A Volvo é uma multinacional de peso e a unidade de Curitiba está entre os principais polos da montadora no mundo. A fábrica reúne milhares de trabalhadores envolvidos na produção de caminhões, ônibus e motores.

Diante de uma empresa desse tamanho, a negociação coletiva exige organização. Por isso, a valorização dos diretores sindicais que estão dentro da fábrica não é apenas simbólica. São trabalhadores que conhecem a realidade da produção, conversam diariamente com os colegas e levam para a mesa de negociação aquilo que nasce no chão de fábrica.

É a base que fortalece a liderança, e é a liderança que ajuda a transformar a força da base em negociação. Essa lógica esteve presente desde o início da Campanha Salarial 2026. Em março, os trabalhadores da Volvo autorizaram o SMC a iniciar as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, tendo como foco o fortalecimento da negociação por empresa.

Resultado que chega ao trabalhador

A confiança construída ao longo dessa caminhada também aparece nos resultados. Na votação realizada nos dias 3 e 4 de agosto de 2026, a maioria dos trabalhadores da Volvo aprovou a proposta negociada pelo SMC para o ACT 2026/2027.

Entre os principais pontos estão:

  • 100% do INPC, sem teto, em setembro de 2026; 
  • 100% do INPC, sem teto, em 2027;
  • abono emergencial de R$ 2.700 em 2026;
  • abono emergencial de R$ 2.700 em 2027;
  • vale-mercado de R$ 1.800.

O vale-mercado também traduz uma evolução importante nas negociações. O benefício, que chegou a R$ 1.500, avança para R$ 1.700 e posteriormente para R$ 1.800, reforçando o peso que esse item tem no orçamento das famílias.

Além disso, a negociação contempla avanços no poder de compra, com a reposição integral da inflação e ganhos reais para as diferentes faixas salariais, alcançando salários de até R$ 11 mil conforme os critérios negociados.

São números importantes. Mas, por trás deles, existe algo ainda mais importante: a capacidade de negociar coletivamente.

O trabalhador também é liderança

Uma das marcas da atuação do SMC é justamente não separar a direção sindical da base. O diretor sindical que está na fábrica é trabalhador. O trabalhador que participa da assembleia também ajuda a definir os rumos da campanha, e a decisão coletiva é o que dá legitimidade para avançar na negociação. Essa relação de confiança precisa ser valorizada.

Na Volvo, a participação dos trabalhadores em votações, assembleias e mobilizações ajudou a construir acordos importantes ao longo dos anos. Em 2025, por exemplo, os metalúrgicos aprovaram uma PLR para 2025 e 2026 com potencial de referência de R$ 38.265, resultado de negociação entre SMC, representantes dos trabalhadores e empresa.

Isso demonstra que organização não é só discurso, a organização trabalhadores e trabalhadoras sindicalizados produz resultados concretos.

47 anos de história e uma luta que continua

Para o Nelsão, são mais de 47 anos de Volvo. Para o Butka, são décadas dedicadas à representação dos trabalhadores e à defesa de bandeiras históricas da classe. Duas trajetórias diferentes, mas que se encontram em um mesmo princípio: a liderança sindical só é forte quando tem o trabalhador ao seu lado.

É por isso que valorizar os diretores sindicais que estão dentro da fábrica significa valorizar a própria democracia sindical. São eles que escutam, dialogam e mostram coragem até nos momentos mais difíceis das negociações. São eles que, junto com a categoria, constroem os avanços que juntos conquistamos.

A história de conquistas dos trabalhadores da Volvo mostra que a luta sindical não se resume ao momento da assinatura de um acordo. Ela é feita todos os dias. Começa na organização da base, na conversa com o companheiro de trabalho, continua na assembleia, na negociação e na capacidade de permanecer unido diante dos desafios.

Quando o trabalhador confia, participa e se organiza, a liderança ganha força. E quando a liderança tem a confiança da base, a negociação ganha força. É assim que a luta avança, direitos são defendidos e novas conquistas são construídas. A vitória vem — mas ela vem com organização, unidade e trabalhador na liderança da própria luta.

Papo Reto com o Nelsão
Informação, mobilização e defesa dos direitos dos trabalhadores.

Fale com o Nelsão: (41) 98411-6970

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