Gleisi e a primeira briga contra privilégios no Senado

Tem política que a gente lembra pelo discurso. E tem política que a gente lembra pelo que ela já fez pelo seu estado e pelo Brasil

Gleisi, Arilson, Butka e Nelsão
Gleisi Hoffmann, Sergio Butka, Arilson Chiorato e Nelsão da Força, durante encontro na RMC - SMC

Quando Gleisi Hoffmann chegou ao Senado, em 2011, uma das primeiras brigas que comprou foi dentro da própria Casa. Em fevereiro daquele ano, apresentou um projeto para acabar com o chamado 14º e 15º salários pagos a deputados e senadores.

Era uma vergonha para quem vive de salário e precisa trabalhar o mês inteiro para pagar as contas. Enquanto trabalhador não tinha salário extra, parlamentar recebia duas remunerações adicionais por ano.

Gleisi foi lá e enfrentou a situação.

O Senado aprovou a proposta em 2012. No ano seguinte, em fevereiro de 2013, a Câmara aprovou por unanimidade o fim do benefício. Em março, a mudança foi promulgada.

Pode parecer detalhe hoje, mas não era. Foi uma decisão tomada por uma parlamentar contra um privilégio existente dentro da própria instituição onde ela acabava de chegar.

E esse é um ponto que precisa ser lembrado.

No chão de fábrica, o trabalhador sabe muito bem a diferença entre falar e negociar. Sabe também que conquista não cai do céu. Tem que organizar, enfrentar resistência e colocar a pressão certa na mesa.

Na política é parecido.

Gleisi apresentou a proposta, enfrentou a resistência e conseguiu que o Congresso acabasse com os dois salários extras. Não foi promessa de campanha. Foi mandato exercido.

Quinze anos depois, Gleisi volta a percorrer o Paraná em busca de uma vaga no Senado. Já passou pela Casa Civil, pela Secretaria de Relações Institucionais, presidiu o PT e hoje exerce mandato de deputada federal.

Mas, antes de lembrar os cargos, vale lembrar as atitudes.

Porque senador não está em Brasília para ganhar privilégio. Está lá para representar quem acorda cedo, pega ônibus, enfrenta fila, trabalha na fábrica, no campo, no comércio, no serviço público e luta para fechar o mês no azul.

O Paraná vai escolher duas cadeiras para o Senado em 2026. A disputa será dura. E, como acontece numa boa assembleia de trabalhadores, cada voto precisa ser pensado pelo que cada candidato já fez e pelo que pretende fazer.

No caso de Gleisi, existe uma história para colocar na mesa. Em 2011, quando ainda estava chegando ao Senado, ela escolheu enfrentar um privilégio dos próprios parlamentares. Acabar com o 14º e o 15º salários foi uma de suas primeiras grandes marcas naquela Casa.

Política também é memória. E, para quem vive do próprio trabalho, memória serve para uma coisa muito simples: separar discurso de prática. Gleisi agora está novamente na estrada, percorrendo o Paraná e pedindo uma oportunidade para voltar ao Senado.

Dessa vez, leva na bagagem quinze anos a mais de experiência política. E uma história que começou com uma briga bastante concreta: acabar com privilégio de parlamentar.

No chão de fábrica, é assim que a gente costuma medir as coisas. Menos conversa. Mais resultado.

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