Domingo é dia de pressão: trabalhadores vão às ruas pelo fim da escala 6x1
Força Sindical, SMC e demais entidades do movimento sindical ampliam a mobilização no dia 30 para cobrar do Senado a aprovação da redução da jornada sem redução salarial
Existem algumas coisas que não se resolvem só nos gabinetes de Brasília. Quando uma pauta mexe diretamente com a vida de milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros, a pressão também precisa vir das ruas.
É por isso que o próximo domingo, 30 de agosto, será marcado por mobilizações em várias partes do Brasil pelo fim da escala 6x1. O ato nacional de maior visibilidade está programado para a Avenida Paulista, em São Paulo, reunindo trabalhadores, centrais sindicais, movimentos sociais e organizações que defendem a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
No Paraná, a Força Sindical do Paraná e o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) também estarão mobilizados, levando para as ruas uma mensagem que precisa chegar ao Senado Federal: a hora de votar é agora.
A mobilização em Curitiba também ocorre em parceria com as centrais sindicais e a APP Paraná já confirmou ato em Curitiba, com concentração na Boca Maldita e caminhada até o ato que deve ocorrer na Praça Santos Andrade, com participação de varos sindicatos, associações de estudantes, trabalhadores e população em geral.
A bola agora está com o Senado
A luta avançou uma etapa importante. Depois de ser aprovada pela Câmara dos Deputados, por maioria esmagadora, a proposta que acaba com a escala 6x1 chegou ao Senado e foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O senador Omar Aziz (PSD-AM) assumiu a relatoria e anunciou que pretende apresentar seu relatório. A previsão é que a matéria seja apreciada pela CCJ na próxima quarta-feira, 2 de setembro.
O relator também sinalizou que pretende manter o texto aprovado pela Câmara. Isso é importante porque qualquer alteração substancial obrigaria a proposta a retornar para análise dos deputados, tornando o caminho até a promulgação muito mais demorado. E, é justamente aí que entra a mobilização deste domingo.
O que está sendo defendido
A proposta aprovada pela Câmara estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário, e prevê dois dias de descanso semanal remunerado, na prática substituindo a tradicional escala 6x1 por uma jornada de 5 dias de trabalho e 2 de descanso.
Não se trata apenas de trabalhar um dia a menos. Trata-se de discutir o tempo de vida de quem trabalha. É o tempo para ficar com os filhos, cuidar da casa, estudar, descansar, praticar esporte, cuidar da saúde, visitar a família ou simplesmente ter um domingo de verdade. E essa é uma discussão que o movimento sindical brasileiro vem fazendo há décadas.
A pressão precisa chegar aos senadores
A mobilização do dia 30 acontece justamente quando a proposta começa a andar novamente no Senado.
Depois de meses de espera, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, encaminhou as PECs relacionadas ao fim da escala 6x1 para a CCJ.
Nos últimos dias, o tema ganhou novo impulso político. O presidente Lula também tratou da votação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, em articulação para acelerar a apreciação da proposta.
Mas uma coisa é negociação política. Outra coisa é mobilização social. E uma não elimina a outra. A hora é agora e quem espera não faz acontecer.
Curitiba também precisa fazer sua parte
Para os trabalhadores do Paraná, especialmente para a categoria metalúrgica da Grande Curitiba, essa é uma pauta que conversa diretamente com a realidade de quem passa boa parte da vida dentro das fábricas.
O SMC já vinha destacando que, depois da aprovação na Câmara, a pressão precisava mudar de endereço: agora é no Senado.
Por isso, a participação da Força Sindical do Paraná e do SMC nas mobilizações reforça uma posição histórica do movimento sindical: redução da jornada, melhores condições de trabalho e mais qualidade de vida não são privilégios. São direitos. E os sindicatos não lutam apenas por direitos, também lutam por nenhum direito a menos.
Agora é com os Senadores e Senadoras
A Câmara já deu sua resposta. E foi forte. Agora, a responsabilidade está nas mãos dos senadores e senadoras. O trabalhador brasileiro não está pedindo para deixar de trabalhar. Está pedindo tempo para viver.
Todos nós que acordamos cedo todos os dias, ou descansamos durante o dia para trabalhar no contraturno durante a noite, estamos pedindo que produtividade e desenvolvimento econômico não sejam construídos às custas de uma vida inteira passada entre trabalho, deslocamento e cansaço.
Domingo, dia 30, a mensagem será levada para as ruas. E daqui do Paraná também vai sair o recado: Senadores e senadoras, votem pelo fim da escala 6x1.
40 horas semanais.
Dois dias de descanso.
Sem redução salarial.
Porque trabalhar é necessário. Mas viver também.

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