PT-PR pede CPI para investigar logística da saída de Flávio Bolsonaro pelo Paraná

Reportagens identificam ex-integrante da inteligência israelense, advogado, motoristas e uma empresa de turismo com endereço suspeito entre os personagens associados à operação. PT quer apurar eventual participação ou omissão de autoridades paranaenses

 
PT-PR pede CPI para investigar logística da saída de Flávio Bolsonaro pelo Paraná PT-PR pede CPI para investigar logística da saída de Flávio Bolsonaro pelo Paraná

O PT do Paraná protocolou, neste domingo (1º), um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) para investigar as circunstâncias da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, com passagem pela região da tríplice fronteira.

Anunciado pelo deputado estadual Arilson Chiorato, presidente do PT-PR, o requerimento pretende apurar se autoridades estaduais ou municipais facilitaram a operação ou se omitiram diante da movimentação de Flávio e de seus familiares pelo território paranaense.

O pedido ganhou força após reportagem do Fantástico, exibida no domingo, apresentar documentos migratórios, imagens e novos detalhes sobre a logística utilizada na viagem. A Polícia Federal também investiga o caso.

Ex-agente israelense e advogado aparecem na operação

Entre os personagens identificados nas reportagens está Menachem Booky Halevy, israelense apontado como ex-integrante do serviço de inteligência de Israel, o Mossad. Segundo o Fantástico, ele atravessou a fronteira em uma van acompanhado do advogado Roberto Jorge Alexandre, que atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O motorista Neri Luiz Dala Corte afirmou ter sido contratado para transportar dois passageiros de Foz do Iguaçu até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina. Ele negou ter levado integrantes da família Bolsonaro.

A reportagem também identificou a empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo, associada à van que transportou Fernanda Bolsonaro e as duas filhas do senador a partir do aeroporto de Cascavel.

Um dado chamou a atenção dos jornalistas: o endereço cadastrado da empresa na Receita Federal corresponde a um estacionamento, onde trabalhadores disseram que a agência nunca funcionou. A empresa, por sua vez, negou ter realizado o transporte.

Os registros migratórios argentinos mostram três entradas associadas a Flávio em um intervalo de aproximadamente 40 minutos, utilizando documentos diferentes. Apenas o registro com passaporte italiano permaneceu válido.

Segundo a investigação apresentada pelo Fantástico, o senador teria seguido de avião de Buenos Aires para Puerto Iguazú, enquanto a família fazia outro percurso. A reconstrução dos deslocamentos ainda apresenta pontos que precisam ser esclarecidos.

Willer Tomaz e Jason Miller também aparecem nos relatos

Outra informação relevante foi publicada pelo UOL nesta segunda-feira (2). Segundo a reportagem, Flávio teria viajado inicialmente em um jato particular ligado ao advogado e empresário Willer Tomaz, antes de seguir para Puerto Iguazú.

A assessoria de Tomaz negou que aeronaves de sua propriedade ou de empresas vinculadas à família tenham sido utilizadas por Flávio ou seus familiares para deixar o Brasil.

Já o trecho internacional até os Estados Unidos teria sido providenciado por Jason Miller, estrategista político ligado a Donald Trump e funcionário especial do governo norte-americano. A informação foi atribuída pelo UOL ao jornal The New York Times. Miller não comentou o caso.

A viagem teria custado cerca de US$ 150 mil, segundo a apuração publicada pelo UOL. Esses elementos apontam para uma possível operação logística organizada previamente, mas não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal dos personagens identificados.

PF investiga e PT quer apurar eventual participação no Paraná

A Polícia Federal confirmou que investiga as circunstâncias da saída de Flávio. Segundo a corporação, não foram encontrados registros de passagem do senador por postos oficiais de controle migratório brasileiros.

O episódio ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do senador e proibir sua saída do país. A PF também informou que inseriu um alerta migratório nos sistemas de controle.

O advogado de Flávio, Frederick Wassef, negou que a viagem tenha sido uma fuga e afirmou ao Fantástico que as informações sobre o trajeto não seriam oficiais ou confirmadas.

Com o pedido de CPI, o PT pretende investigar especificamente se houve participação de agentes públicos paranaenses, facilitação do uso de estruturas aeroportuárias ou omissão de órgãos estaduais e municipais. O requerimento ainda precisa cumprir os requisitos regimentais para que a comissão seja instalada na Alep.

Até o momento, não há comprovação pública de envolvimento de autoridades do Paraná na operação. A investigação deverá esclarecer quem organizou os deslocamentos terrestres, quem contratou os transportes, quais estruturas foram utilizadas e se houve colaboração de agentes públicos.


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