Lula chega à ONU levando a voz de quem conhece o chão de fábrica

Lula, Butka e Nelsão da Força, as lideranças que vem dos Metalúrgicos, das fábricas do setor da metalurgia. Histórias que se repetem e buscam incansavelmente o desenvolvimento da nossa nação - é a voz do trabalhador brasileiro na abertura da assembleia geral da ONU

 

Tem coisa que a gente não aprende em gabinete, em faculdade ou em discurso bonito. Aprende no chão da fábrica. Quem já bateu cartão, vestiu uniforme, enfrentou o barulho das máquinas, correu atrás de salário melhor, participou de assembleia e aprendeu que conquista de trabalhador nunca caiu do céu sabe do que estou falando.

É por isso que a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para Nova York, onde participa da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, também tem um significado especial para quem veio do movimento sindical e da indústria.

Lula conhece esse caminho. Antes de ser presidente, ele foi metalúrgico e dirigente sindical. E essa história tem uma ligação muito forte com a trajetória de tantos trabalhadores que ajudaram a construir o movimento sindical brasileiro.

Eu e o companheiro Sérgio Butka, além da amizade, temos por Lula admiração e respeito por essa história. Não é uma relação construída apenas na política. Existe uma identidade de origem: o chão de fábrica, a metalurgia e a luta organizada dos trabalhadores.

Do sindicato para o mundo

Nesta semana, Lula está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU. O Debate Geral começa nesta terça-feira, dia 22, reunindo representantes dos 193 países-membros das Nações Unidas.

E existe uma tradição importante: desde 1955, é o presidente do Brasil quem faz o primeiro discurso do Debate Geral, seguido pelo presidente dos Estados Unidos. A própria ONU explica que essa tradição nasceu da participação de Oswaldo Aranha na organização das primeiras sessões da Assembleia.

O tema desta 81ª Assembleia é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.

E olha que momento para discutir isso.

O mundo está vivendo guerras, disputas comerciais, mudanças tecnológicas profundas, crise climática e uma disputa cada vez maior sobre quem vai controlar as tecnologias que vão definir o futuro.

É nesse cenário que o Brasil vai falar.

Mas tem uma coisa que não pode ficar esquecida

Quando a gente fala em futuro, muita gente pensa apenas em inteligência artificial, robôs, computadores e grandes empresas de tecnologia.

Mas tecnologia também nasce dentro da fábrica.

Nasce quando um trabalhador aprende a operar uma máquina mais moderna. Quando uma empresa desenvolve um processo novo. Quando uma universidade pesquisa uma solução e uma indústria consegue colocar aquilo em produção. Quando o país deixa de importar uma tecnologia e passa a desenvolver conhecimento aqui.

Industrialização não é coisa do passado. É projeto de futuro.

E isso tem tudo a ver com emprego, salário e desenvolvimento.

Um país que apenas vende matéria-prima e compra produtos industrializados e tecnologias prontas fica dependente. Já um país que produz, pesquisa, desenvolve tecnologia e agrega valor àquilo que produz aumenta sua capacidade de gerar riqueza e disputar espaço no mundo.

O próprio governo federal vem colocando essa questão no centro da política industrial.

Nos últimos dias, Lula sancionou o Redata, regime que cria incentivos para investimentos em data centers e, ao mesmo tempo, estabelece contrapartidas em pesquisa e desenvolvimento tecnológico no Brasil. A medida busca fortalecer cadeias nacionais ligadas à indústria 4.0, computação em nuvem, inteligência artificial, fábricas inteligentes e Internet das Coisas.

É exatamente aí que está o ponto. Não basta trazer tecnologia para dentro do Brasil. É preciso criar condições para que o conhecimento também seja produzido aqui.

Emprego é importante. Conhecimento também.

Para nós, trabalhadores, emprego sempre será uma questão fundamental. Mas emprego sozinho não resolve tudo.

A indústria pode gerar emprego, renda, qualificação profissional, inovação, pesquisa e novas cadeias produtivas. Uma fábrica movimenta fornecedor, transporte, comércio, serviços, formação profissional e uma enorme rede econômica ao seu redor.

É por isso que defender a indústria brasileira não significa defender simplesmente uma fábrica ou uma empresa. Significa defender a capacidade do Brasil de produzir.

Significa defender a capacidade do trabalhador brasileiro de aprender, se qualificar e participar das novas tecnologias. Significa também defender a soberania do país.

Um exemplo está na própria área da saúde. Em julho, Lula sancionou uma lei que tornou permanente a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, buscando ampliar a capacidade brasileira de desenvolver e produzir medicamentos, vacinas e outras tecnologias estratégicas. Isso é soberania na prática.

Quem conhece o chão de fábrica entende

Eu e o Butka sabemos que nenhuma conquista importante dos trabalhadores aconteceu porque alguém resolveu simplesmente dar alguma coisa para a categoria. Foi organização. Foi sindicato, a negociação, a mobilização da força de trabalho que constrói todos os dias o nosso país.

Foi trabalhador entendendo que sozinho é mais difícil, mas organizado consegue ser ouvido. O movimento sindical brasileiro ajudou a construir direitos que hoje parecem naturais para muita gente. Jornada, salários, segurança, benefícios, condições de trabalho e tantas outras conquistas têm história, têm luta e têm nome de trabalhador.

Lula faz parte dessa história. Por isso, quando ele sobe à tribuna da ONU, não vejo apenas um presidente brasileiro falando para os chefes de Estado do mundo. Vejo também um homem que saiu do chão de fábrica e chegou ao lugar onde se discutem os grandes caminhos do planeta.

O Brasil que queremos construir

O mundo vai prestar atenção ao discurso de Lula porque o Brasil tem uma posição importante no debate internacional e porque a própria ONU está discutindo como recuperar a confiança no multilateralismo e enfrentar as grandes transformações deste tempo.

Mas, para nós que estamos aqui, no Brasil, existe uma pergunta que também precisa ser feita: que país queremos deixar para os trabalhadores que vêm depois da gente?

Um país que apenas exporta riquezas naturais?  Que gera riqueza apenas no agronegócio. Ou um país que produz, industrializa, pesquisa, desenvolve tecnologia, forma trabalhadores e distribui melhor, de forma mais democrática, os frutos desse desenvolvimento?

Eu fico com a segunda opção. Porque desenvolvimento de verdade não pode ser medido apenas pelo tamanho do PIB ou pelo lucro de algumas empresas, das quais muitas são multinacionais e acabam ganhando dinheiro aqui - com o fruto do trabalho do povo brasileiro - mas investem grande parte desses proventos no exterior.

O desenvolvimento e o fruto das nossas riquezas precisa chegar de fato na vida das pessoas. Ele tem que se traduzir em emprego decente, salário digno, oportunidade para os jovens, indústria forte, ciência, tecnologia e condições para o trabalhador viver melhor.

E talvez seja justamente essa uma das grandes mensagens que o Brasil pode levar para o mundo nesta Assembleia da ONU: não existe futuro sustentável para uma nação que abre mão de produzir conhecimento, tecnologia e trabalho de qualidade. Isto sem abrir mão do multilateralismo, da cooperação entre os países e blocos econômicos.

Lula conhece o chão de fábrica. Nós também. E é desse chão que muita coisa importante para o Brasil ainda pode nascer. A prosperidade é fruto do trabalho e a tecnologia vem para auxiliar o trabalhador, democratizando também a informação e o conhecimento. 

A China, por exemplo, é um modelo de sucesso, uma das maiores, senão a maior parceira comercial, tanto do Brasil quanto dos Estados Unidos. O mercado comum europeu, idem. O ideal para prosperidade do planeta parece estar no que sempre pregou a ONU: a cooperação mútua entre todas as nações. E, certamente, não será o unilateralismo, que taxa indiscriminadamente outras nações, que vai trazer desenvolvimento, paz e prosperidade para a população mundial.

Se hoje a China abriga as maiores plantas da americana Tesla e de todas as marcas de veículos elétricos, inclusive com transferência de tecnologia, porque também não o Brasil?

Nós temos um modelo incrível para mostrar ao mundo: a tecnologia, a linha de produção e manutenção da Embraer. O modelo de negócios, de chão de fábrica, de alta tecnologia e logística internacional, 100% brasileiro, que mostra ao mundo a qualidade e capacidade industrial brasileira, com tecnologia de ponta que não deixa a desejar nem um milímetro sequer a qualquer nação do planeta. 

Se outrora na história recente do país, quase nos tornamos uma pátria paria, hoje o Brasil faz negócios com o mundo inteiro e se o mundo tem tanto interesse no nosso país, tem que trazer para cá os investimentos e a tecnologia necessários. Um verdadeiro salto industrial e tecnológico. É disso que o Brasil precisa e acreditamos que é isso que o mundo necessita. 

O presidente Lula vai às Nações Unidas para abrir caminhos, gerando divisas e atraindo negócios, que vão se traduzir em mais empregos e na melhoria da qualidade de vida de todo o povo brasileiro. O setor metalúrgico brasileiro mostra que, diferente do que uma parte da população pensa, para nós o futuro também já chegou. O mundo inteiro está com os olhos voltados para o Brasil. Isso é papo reto!

Fale com o Nelsão:
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