Requião Filho e uma lição que aprendemos em casa: respeitar a fé do próximo
Católico praticante, devoto de Nossa Senhora Aparecida, Nelsão concorda com a mensagem de Requião Filho: o Paraná sempre foi uma terra construída pelo respeito entre diferentes religiões, tradições e famílias
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| Requião Filho, Nelsão da Força e Fernanda do Nelsão, no Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba (SMC) |
Em meio a um cenário político marcado por confrontos e discursos que muitas vezes aprofundam as diferenças, uma fala do deputado estadual Requião Filho (PDT), chamou minha atenção por seguir um caminho diferente: o do respeito, diferente do youtuber bolsonarista que fez ataques a ele nas redes.
Em vídeo publicado hoje, o parlamentar defendeu a liberdade e a diversidade religiosa, reafirmando que governar significa respeitar as pessoas exatamente como elas são, independentemente da fé que elas professam.
Como católico, compartilho integralmente dessa visão. Fui criado aprendendo que a fé nunca pode ser instrumento de intolerância. Pelo contrário. O Evangelho nos ensina diariamente sobre amor ao próximo, acolhimento, misericórdia, companheirismo, união e respeito. Esses valores não pertencem apenas aos católicos; são princípios universais capazes de aproximar pessoas e fortalecer qualquer sociedade.
Educação que começa em casa
Aqui no Paraná, muitas famílias ensinam seus filhos desde pequenos que o respeito é um valor inegociável. Aprendemos a cumprimentar o vizinho, a respeitar os mais velhos, a estender a mão a quem precisa e também a compreender que cada pessoa tem sua própria caminhada de fé.
É comum encontrarmos famílias católicas convivendo em perfeita harmonia com amigos evangélicos, espíritas, umbandistas, judeus, muçulmanos e pessoas que não seguem nenhuma religião. Nunca foi a religião que definiu o caráter de alguém, mas sim seus valores, seus princípios e suas atitudes. Foi exatamente essa mensagem que enxerguei na fala do nosso companheiro, deputado Requião Filho.
No vídeo que ele publicou, cita diferentes tradições religiosas — do cristianismo às religiões de matriz africana, passando pelo judaísmo, islamismo, budismo e hinduísmo — ele não tentou estabelecer qual religião seria melhor. Defendeu algo muito maior: o direito de cada cidadão viver sua fé com dignidade e respeito. Ele defende a liberdade do pensamento, da crença, da fé.
Estado laico
Existe uma confusão muito comum quando se fala em Estado laico. Ser um Estado laico não significa ser contra Deus ou contra qualquer religião. Significa que o Estado não possui uma religião oficial e tem o dever de garantir igualdade de direitos para todos os credos.
A Constituição Federal de 1988 assegura a liberdade de consciência, de crença e de culto. Também protege templos religiosos e estabelece punições para quem pratica discriminação ou intolerância religiosa. E, essa proteção vale para todos.
Para quem frequenta uma igreja católica. Para quem participa de um culto evangélico. Para quem encontra sua espiritualidade em um terreiro de Umbanda ou de Candomblé. Para quem frequenta um centro espírita. Para judeus, muçulmanos, budistas, hinduístas e tantas outras tradições religiosas. E também para os ateus, aqueles que escolheram não seguir nenhuma religião.
O Evangelho ensina amor, não intolerância
Há um trecho da fala de Requião Filho que a gente deve cobdiderar especialmente importante. Ele afirma respeitar aquilo que cada pessoa aprendeu "na sua casa, com a sua família, os seus valores e a sua fé". Essa talvez seja a essência da convivência humana.
Quem é cristão sabe que Jesus nunca pregou o preconceito. Ensinou exatamente o contrário: amar o próximo, acolher, perdoar e servir. Isso não significa abandonar nossas convicções religiosas. Significa compreender que ninguém fortalece sua própria fé atacando a fé do outro.
Respeitar não é concordar com tudo. Respeitar é reconhecer que toda pessoa merece ser tratada com dignidade.
O Paraná é feito de muitas vozes
Vivemos em um estado construído pela diversidade. Italianos, poloneses, ucranianos, alemães, japoneses, árabes, indígenas, afro-brasileiros e tantos outros povos ajudaram a formar a identidade paranaense.
Essa riqueza também aparece na diversidade religiosa. Igrejas, capelas, templos, terreiros, centros espíritas, sinagogas e mesquitas fazem parte da realidade do nosso estado e da vida de milhares de famílias.
Independentemente das diferenças políticas, acredito que a mensagem transmitida pelo companheiro Requião Filho merece reflexão. Precisamos de mais diálogo, mais respeito e menos preconceito.
Que nossas crianças continuem aprendendo, dentro de casa, aquilo que tantas famílias paranaenses sempre ensinaram: respeitar a religião do próximo não diminui a nossa fé. Pelo contrário, demonstra maturidade, humanidade, humildade, e, acima de tudo amor ao próximo.
É assim que se constrói uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais unida. Porque antes das diferenças religiosas ou políticas, somos todos filhos do mesmo Paraná.
Não podemos cair nas garras do bolsonarismo, extremista e que cada vez mais aparece envolto em maracutaias e operações financeiras meio mal explicadas, como no caso em que o candidato à presidência de Sérgio moro aparece pedindo dinheiro para o Daniel Vorcaro. Papo reto: isso sim não é coisa de Deus.

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