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Quando a política vira torcida, todo mundo perde

Diferença de opinião é democracia. Ódio político é outra coisa. E a conta dessa confusão acaba sobrando para nós do povo

Nelsão da Força (PT) e o prefeito Eduardo Pimentel (PSD), em encontro numa Rua da Cidadania, mostrando que o atendimento à população e principalmente aos mais vulneráveis vem antes de qualquer divergência política

Tem uma coisa que muita gente parece ter esquecido nos últimos anos: não existe democracia sem divergência. É através do dissenso que se chega ao consenso.

O Brasil é um país de mais de 200 milhões de pessoas. É natural que existam opiniões diferentes sobre economia, segurança, impostos, direitos sociais, religião, costumes ou sobre quem deve governar o país. Sempre foi assim.

O problema começa quando a divergência deixa de ser uma troca de ideias e vira uma guerra entre brasileiros, ao ponto de dividir famílias.

As redes sociais mudaram completamente a forma como a política chega até as pessoas. Hoje, algoritmos escolhem o que aparece na tela, mostram conteúdos que confirmam nossas crenças e escondem aquilo que poderia nos fazer refletir ou questionar nossas certezas.

Pouco a pouco, muita gente passa a viver dentro de uma bolha. Nessa bolha, todos pensam parecido. Todos compartilham as mesmas notícias. Todos enxergam os mesmos vilões. E quem pensa diferente deixa de ser um adversário político para virar um inimigo.

O perigo da política movida pelo ódio

Odiar o próximo por causa de política. É aí que mora o perigo. A história mostra que sociedades divididas pelo ódio acabam ficando vulneráveis a discursos radicais. Ao longo do século XX, regimes autoritários cresceram explorando ressentimentos, medos e a ideia de que determinados grupos eram os culpados pelos problemas da sociedade.

O fascismo não surgiu da noite para o dia. Foi alimentado por crises, desinformação, intolerância e pela incapacidade de conviver com diferenças. 

Contra essa ameaça, milhares de brasileiros vestiram a farda da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e atravessaram o oceano para lutar na Segunda Guerra Mundial. Nossos pracinhas combateram o nazifascismo na Itália e ajudaram a escrever uma página de coragem da história nacional.

Aquela geração deixou uma lição que continua atual: democracia não significa pensar igual. Significa respeitar o direito de cada cidadão pensar diferente.

O que diz a Constituição

A liberdade de expressão, a liberdade de pensamento e a participação política são direitos garantidos pela Constituição Federal.

O cidadão tem o direito de apoiar candidatos de esquerda, de direita, de centro ou de não apoiar ninguém. Tem o direito de criticar governos, partidos e autoridades. Isso é democracia.

Mas existe uma diferença entre discordar e odiar. Quando a política passa a ocupar todos os espaços da vida, quando amigos deixam de conversar, famílias se rompem e brasileiros passam a se enxergar como inimigos, algo está fora do lugar.

Enquanto o povo briga...

Enquanto milhões de pessoas discutem nas redes sociais, e até brigam na rua, os desafios do dia a dia continuam os mesmos. O trabalhador continua acordando cedo para pegar ônibus. O que trabalha de noite acaba usando parte do dia para fazer bico.

O aposentado continua preocupado com o preço dos remédios. O jovem continua procurando uma oportunidade de emprego. O pequeno comerciante continua lutando para pagar as contas e manter o negócio funcionando.

Esses problemas não perguntam em quem você votou. E talvez seja justamente por isso que eles mereçam mais atenção do que as brigas intermináveis da internet. As pessoas precisam voltar a usar o coração, lembrar que por mais sofrido que às vezes possa ser, no final é sempre o amor que vence outra vez.

Papo reto

Ninguém é obrigado a concordar com tudo. Ninguém precisa abandonar suas convicções. O debate político é saudável e faz parte da democracia.

Mas transformar adversários em inimigos nunca ajudou a resolver os problemas do Brasil, ou de qualquer país que seja. É hora de lembrar uma verdade simples: um país só avança quando consegue conversar consigo mesmo. As bolhas políticas só se rompem quando falamos para fora delas, além delas.

Respeito continua sendo o primeiro passo para qualquer conversa séria. Discordar é normal, mas partir para perseguição e agressão por diferença política, é outra coisa. E aqui não tem essa. É papo reto!

Fale com o Nelsão: (41) 98411-6970 • WhatsApp

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