Nair Goulart será homenageada no Dia da Luta Operária e tem legado sindical reafirmado em São Paulo

Fundadora da Força Sindical e voz das trabalhadoras brasileiras em organismos internacionais, Nair será lembrada em cerimônia que também celebra a memória da histórica Greve Geral de 1917

 
Nair, em debate sobre os 50 anos do golpe militar, em abril de 2014 - Arquivo

Na próxima quinta-feira, 9 de julho, o movimento sindical brasileiro voltará seus olhos para a memória de algumas das lideranças que ajudaram a construir a organização dos trabalhadores no país. Entre elas está Nair Maria de Jesus Goulart, falecida em 2016. Nair Goulart foi fundadora da Força Sindical e uma das principais referências da luta das mulheres trabalhadoras no Brasil.

A homenagem póstuma ocorrerá durante a celebração do Dia da Luta Operária, na sede do SindPD, em São Paulo, reunindo dirigentes sindicais, familiares, militantes e representantes de diversas entidades de trabalhadores. A programação começa às 9 horas e marca mais uma edição de uma data criada para preservar a memória das lutas que moldaram os direitos trabalhistas brasileiros.

Mais do que uma dirigente sindical, Nair Goulart tornou-se uma das brasileiras com maior projeção internacional no sindicalismo. Sua atuação ultrapassou fronteiras ao representar as trabalhadoras brasileiras em organismos como a Organização Regional Interamericana de Trabalhadores (ORIT), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), bem como a outras redes ligadas ao sindicalismo internacional.

Ao longo de sua trajetória, defendeu a ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão e poder, a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho, inclusive em cargos de direção e chefia, e o fortalecimento da organização sindical democrática como um todo.

O trabalho da companheira Nair Goulart, ajudou a abrir caminhos para que mais mulheres ocupassem posições de liderança em sindicatos e centrais sindicais.

Uma história que se confunde com a construção da Força Sindical

A homenagem também reconhece a contribuição de Nair para a consolidação da Força Sindical, fundada em 1991. Em um período de profundas transformações econômicas e políticas no Brasil, ela participou da construção de uma central que buscava ampliar a representação dos trabalhadores em diferentes setores da economia.

Seu nome permanece associado à defesa do diálogo social, da negociação coletiva e da valorização da presença feminina nas pautas trabalhistas. Para muitos dirigentes sindicais, sua trajetória simboliza uma geração que ajudou a modernizar o sindicalismo brasileiro sem abandonar as bandeiras históricas da classe operária brasileira

O significado do Dia da Luta Operária

A escolha da data não é por acaso. O Dia da Luta Operária é celebrado oficialmente na cidade de São Paulo desde 2017, por meio de uma lei municipal criada para preservar a memória da Greve Geral de 1917, considerada um dos marcos mais importantes da organização dos trabalhadores brasileiros.

A greve mobilizou milhares de operários paulistas em defesa de melhores salários, redução da jornada de trabalho e condições mais dignas nas fábricas. O movimento ganhou força após a morte do jovem sapateiro José Martinez, de apenas 21 anos, baleado durante uma manifestação no bairro do Brás em 9 de julho de 1917.

Sua morte transformou-se em símbolo da resistência operária e da luta por direitos sociais. Mais de um século depois, seu nome continua presente na memória do movimento sindical brasileiro. Por essa razão, a principal honraria da cerimônia leva seu nome.

Troféu José Martinez será entregue a Laerte e Aurélio Peres

Nesta edição, o Troféu José Martinez será concedido à cartunista Laerte e ao ex-deputado federal Aurélio Peres, em reconhecimento às contribuições prestadas à democracia, à cultura política e às causas dos trabalhadores.

Também receberão homenagens póstumas Waldemar Rossi, Célia Rossi, Idibal Pivetta, Paulo Frateschi e Rubens Romano, outro fundador da Força Sindical cuja atuação foi marcante na organização dos trabalhadores brasileiros.

Paulo Cannabrava e José Maria de Almeida serão reconhecidos por suas contribuições às lutas sociais, populares e sindicais ao longo das últimas décadas.

A memória que ajuda a construir o futuro

Em um momento em que o mundo do trabalho passa por transformações aceleradas, impulsionadas pela tecnologia, pela automação e pelas novas formas de contratação, eventos como o Dia da Luta Operária ajudam a recordar que muitos dos direitos hoje considerados básicos nasceram de mobilizações coletivas e da dedicação de homens e mulheres que decidiram organizar a classe trabalhadora.

Ao homenagear Nair Goulart, o movimento sindical não celebra apenas uma trajetória individual. Reafirma também a importância da participação das mulheres, da organização dos trabalhadores e da preservação da memória de quem ajudou a construir avanços sociais que continuam influenciando o Brasil de hoje.

Num período em que o sindicalismo enfrenta novos desafios, recordar lideranças como Nair é também uma forma de refletir sobre o futuro das relações de trabalho e sobre o papel das organizações dos trabalhadores na defesa da democracia, da inclusão social e da valorização do trabalho humano. Sempre na luta por melhores salários, benefícios e qualidade de vida, e, sempre, por nenhum direito a menos.

José Martinez, presente! Nair Goulart, presente! Rubens Romano, presente, agora e sempre!

Clique aqui e leia um pequeno histórico da vida da nossa querida e saudosa companheira Nair Goulart (1951-2016).

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