Economia cresce, mas quem está carregando o Brasil nas costas é o trabalhador

FGV aponta alta de 0,7% do PIB em maio, impulsionada pelo consumo das famílias. Enquanto isso, juros continuam nas alturas e a indústria ainda patina

 
Economia cresce, mas quem está carregando o Brasil nas costas é o trabalhador. FGV aponta alta de 0,7% do PIB em maio, impulsionada pelo consumo das famílias. Enquanto isso, juros continuam nas alturas e a indústria ainda patina.

Quando a economia cresce, a primeira pergunta que o trabalhador precisa fazer é simples: quem está produzindo essa riqueza e quem está ficando com ela?

Os números divulgados nesta segunda-feira (20) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que a economia brasileira cresceu 0,7% em maio, recuperando o terreno perdido após a pequena queda registrada em abril. É uma boa notícia. Mas é preciso olhar além da manchete.

O estudo deixa claro que quem está sustentando esse crescimento é o povo brasileiro. São as famílias que continuam consumindo, mesmo enfrentando juros altos, crédito caro, alimentos ainda pesando no orçamento e salários que, em muitos setores, continuam correndo atrás da inflação.

Mais uma vez, é o trabalhador quem segura a economia nas costas.

O consumo cresce porque existe emprego e renda

A FGV informa que o consumo das famílias avançou 3,3% no trimestre encerrado em maio, o melhor resultado desde o final de 2024.

Isso não acontece por acaso.

Os programas sociais foram fortalecidos, o desemprego caiu, a renda voltou a crescer e a política de valorização do salário mínimo começou novamente a colocar dinheiro na economia real. Quando o trabalhador tem renda, ele compra comida, troca a geladeira, reforma a casa, leva os filhos ao comércio do bairro e movimenta toda uma cadeia produtiva.

É exatamente isso que os números mostram.

Mas nem tudo são flores

A própria FGV faz um alerta importante: a indústria perdeu ritmo, as exportações desaceleraram e os investimentos ainda caminham lentamente.

Isso significa que o crescimento continua muito dependente do consumo interno. E consumo sozinho não sustenta uma economia forte para sempre.

O Brasil precisa voltar a investir pesado na produção, fortalecer a indústria nacional, gerar empregos de qualidade e ampliar a capacidade produtiva do país.

É aí que entram políticas públicas, planejamento e investimento do Estado.

Juros continuam sendo um freio

Outro problema continua sendo a taxa básica de juros.

Mesmo com a inflação apresentando trajetória de queda e a economia crescendo de forma moderada, a Selic permanece em um dos maiores patamares das últimas décadas.

Na prática, isso significa financiamentos mais caros, dificuldade para pequenas empresas investirem, menor geração de empregos e menos recursos circulando na economia.

Quem produz paga a conta. Quem vive de especulação financeira continua comemorando.

O trabalhador merece mais do que estatísticas positivas

O Monitor do PIB também mostra que os investimentos cresceram 2% e que a taxa de investimento chegou a 18,6% do PIB. É um sinal positivo, mas ainda insuficiente para recolocar o Brasil em uma trajetória consistente de desenvolvimento.

O país precisa crescer distribuindo renda. Precisa gerar empregos com carteira assinada, fortalecer a negociação coletiva, ampliar direitos e valorizar quem produz a riqueza nacional.

Não basta celebrar índices econômicos se os ganhos ficarem concentrados nas mãos de poucos.

O crescimento precisa chegar ao chão da fábrica

O trabalhador sabe reconhecer quando a economia melhora. Ele sente isso quando consegue comprar mais, quando encontra emprego, quando a fábrica contrata, quando o comércio vende e quando o salário recupera poder de compra.

Mas também sabe quando o crescimento fica apenas nas planilhas dos economistas.

Por isso, a retomada da economia precisa continuar acompanhada de valorização dos salários, redução dos juros, fortalecimento da indústria nacional e respeito aos direitos trabalhistas.

O Brasil tem todas as condições para crescer mais. Mas esse crescimento precisa chegar ao chão da fábrica, ao balcão do comércio, ao campo, ao transporte, aos escritórios e à mesa das famílias brasileiras.

Economia forte não é aquela que enriquece apenas bancos e grandes investidores. Economia forte é aquela que melhora a vida de quem acorda cedo todos os dias para construir este país com o próprio trabalho.

✊ Papo reto com o Nelsão

Este espaço defende a valorização do trabalho, da negociação coletiva, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora. Porque desenvolvimento econômico de verdade só existe quando a riqueza produzida pelo povo retorna em melhores salários, empregos dignos e justiça social.

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