Cooperativismo: quando a união das pessoas vale mais do que o capital

Neste Dia Internacional do Cooperativismo, o mundo celebra um modelo econômico baseado na solidariedade, na participação democrática e no desenvolvimento das comunidades

 

Neste 4 de julho, o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo. A data, reconhecida pelas Nações Unidas, chega em 2026 com um tema que parece cada vez mais necessário: "Cooperativas por um mundo pacífico".

Pode parecer um assunto distante da vida cotidiana, mas não é. Basta olhar para o Paraná, para Curitiba e para o interior do Brasil para perceber o peso que as cooperativas têm na produção de alimentos, no crédito rural, na geração de empregos e no desenvolvimento regional.

No Paraná, algumas das maiores cooperativas do país movimentam bilhões de reais por ano e ajudam a colocar comida na mesa de milhões de brasileiros. São organizações que nasceram da união de produtores, trabalhadores e comunidades que compreenderam uma verdade simples: juntos é possível alcançar o que individualmente seria muito mais difícil.

Cooperação e sindicalismo caminham lado a lado

Quem acompanha a história do movimento dos trabalhadores sabe que cooperativas e sindicatos nasceram de valores muito parecidos. Ambos surgem da organização coletiva, da defesa de interesses comuns e da ideia de que a união fortalece as pessoas diante das dificuldades econômicas e sociais.

Enquanto os sindicatos lutam pela proteção dos direitos dos trabalhadores, as cooperativas mostram que também é possível organizar atividades econômicas de forma democrática e participativa.

Não por acaso, muitas experiências de economia solidária no Brasil tiveram apoio de entidades sindicais, especialmente em momentos de crise econômica, fechamento de empresas ou necessidade de geração de renda para famílias trabalhadoras.

Um modelo baseado na participação

Segundo a Aliança Cooperativa Internacional, o cooperativismo se sustenta em princípios como adesão voluntária, gestão democrática, participação econômica dos associados, autonomia, educação cooperativista, cooperação entre cooperativas e compromisso com a comunidade.

Na prática, isso significa que as decisões não ficam concentradas nas mãos de poucos investidores. Os associados participam da gestão, ajudam a definir os rumos da organização e compartilham os resultados produzidos coletivamente. É um modelo que busca equilibrar eficiência econômica com responsabilidade social.

Números que impressionam

Os dados globais ajudam a entender a dimensão do cooperativismo.

  • Mais de 12% da população mundial participa de uma das cerca de 3 milhões de cooperativas existentes no planeta;
  • As 300 maiores cooperativas e organizações mutualistas do mundo movimentam juntas mais de 2,4 trilhões de dólares em receitas;
  • O setor gera trabalho ou oportunidades de renda para aproximadamente 280 milhões de pessoas — o equivalente a cerca de 10% da população empregada do planeta.

Democracia, companheirismo e cooperação entre os povos

Existe também uma dimensão política e até geopolítica no cooperativismo que merece atenção. O cooperativismo nasceu da compreensão de que ninguém prospera sozinho. A própria democracia funciona da mesma maneira. Não é obra de um indivíduo, de um grupo isolado ou de uma única força econômica. É uma construção coletiva, feita pela participação de todos e todas.

O cooperativismo, acima de tudo, é uma forma prática de democracia e de companheirismo. É a ideia de que as pessoas podem se organizar, compartilhar responsabilidades, dividir resultados e construir soluções comuns para problemas que afetam a coletividade.

Por isso, os princípios cooperativistas dialogam diretamente com o multilateralismo nas relações entre povos e nações. Cooperar significa sentar à mesa, ouvir diferentes interesses, buscar consensos e construir caminhos compartilhados.

Quando governos ou grandes potências optam por políticas mais unilaterais, priorizando exclusivamente seus próprios interesses estratégicos, acabam se afastando do espírito cooperativista que orienta a construção de soluções globais. O cooperativismo aponta justamente para a direção contrária: a do diálogo, da parceria e da prosperidade compartilhada.

Não por acaso, a ONU escolheu para 2026 o tema "Cooperativas por um mundo pacífico". A mensagem é clara. A paz duradoura não nasce apenas da ausência de conflitos. Ela depende de inclusão social, oportunidades econômicas, justiça, confiança entre as pessoas e capacidade de cooperação entre comunidades e países.

O Brasil tem muito a ensinar

O Brasil tem muito a dizer sobre esse assunto. Da agricultura familiar às grandes cooperativas agroindustriais, passando pelo crédito cooperativo, pela economia solidária e pelas experiências comunitárias espalhadas pelo país, o cooperativismo brasileiro tornou-se uma referência internacional.

O Paraná é um dos maiores exemplos dessa força. Cooperativas ajudam a alimentar o Brasil e diversos mercados internacionais, geram empregos, fortalecem municípios inteiros e mostram diariamente que é possível combinar eficiência econômica com compromisso social.

Se o cooperativismo prospera no Brasil, o país tem muito a ensinar ao mundo sobre como construir desenvolvimento sem abandonar a solidariedade. Talvez a principal lição seja esta: crescimento econômico e inclusão social não precisam caminhar separados.

Em tempos de polarização, desconfiança e individualismo crescente, o cooperativismo continua lembrando uma verdade simples, mas poderosa: ninguém constrói um futuro melhor sozinho.

"Cooperar é reconhecer que a democracia não é feita por um só lado. Ela é construída por todos e todas. E o cooperativismo prova, todos os dias, que prosperidade compartilhada gera comunidades mais fortes, economias mais justas e sociedades mais humanas."
Fale com o Nelsão: (41) 98411-6970 • WhatsApp

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Campo Largo em quadra: Nelsão acompanha ACFF na terceira rodada do Paranaense de Futsal

Quando um palanque pede explicações dos outros, também precisa responder perguntas

Gleisi acompanha entregas e anúncios de investimentos em Campo Largo: “É assim que a gente melhora a vida das pessoas”

Campo Largo recebe investimentos e reforço para a saúde nesta terça-feira (30)

STF suspende multas da NR-1 e reacende debate sobre saúde mental dos trabalhadores