PEC pelo fim da escala 6x1 volta ao debate após pressão popular

Mobilização de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais recoloca no centro das discussões a proposta de redução da jornada sem redução salarial

"Depois de mais de 40 dias parada no Senado Federal, a PEC que acaba com a escala 6x1 sem redução salarial finalmente volta ao debate. E isso não aconteceu por boa vontade de ninguém. Aconteceu porque trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e milhões de brasileiros fizeram pressão, ocuparam as redes sociais, cobraram parlamentares e se recusaram a aceitar que uma pauta tão importante fosse empurrada para debaixo do tapete.

A decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, de se reunir com as centrais sindicais na próxima semana é uma resposta direta à força da mobilização popular. É a prova de que, quando o povo se organiza e cobra, o poder público é obrigado a ouvir.

Mas ninguém deve se iludir. Uma reunião não significa aprovação. Um encontro não garante votação. A história do Congresso Nacional está repleta de propostas que foram enterradas pela pressão de setores econômicos interessados em manter privilégios e impedir avanços para a classe trabalhadora.

A luta pelo fim da escala 6x1 é uma luta por dignidade. É uma luta para que milhões de trabalhadores tenham mais tempo para suas famílias, para estudar, descansar e viver. Não é aceitável que, em pleno século XXI, tantos brasileiros continuem submetidos a jornadas exaustivas enquanto a produtividade e os lucros aumentam.

Do ponto de vista constitucional, a valorização do trabalho humano e a dignidade da pessoa humana são fundamentos da República. A economia deve servir às pessoas, e não o contrário. Por isso, o debate sobre a redução da jornada sem redução salarial é legítimo, necessário e urgente.

A mobilização que trouxe essa pauta de volta ao centro das discussões precisa continuar. É hora de aumentar a pressão, cobrar posicionamentos públicos dos senadores, acompanhar a tramitação da PEC e exigir que ela seja votada. Nenhum direito trabalhista foi conquistado sem luta, e desta vez não será diferente.

O Senado precisa escolher de que lado está: do lado dos trabalhadores que movem este país ou do lado daqueles que lucram com jornadas cada vez mais pesadas e desgastantes.

A luta continua, e a pressão popular não pode diminuir."

Wagner Gomes
Ativista Político

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