Boulos sobe o tom contra bancos e pressiona Senado por fim da escala 6 x 1

Ministro afirma que instituições financeiras estão dificultando o acesso ao programa Move Brasil e acusa setores empresariais de travarem proposta que reduz a jornada de trabalho

Brasília amanheceu com um discurso forte vindo do Palácio do Planalto. Durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC, nesta terça-feira (30), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, fez críticas diretas aos bancos privados e também ao que chamou de pressão de grupos empresariais contra o fim da escala de trabalho 6 x 1.

Críticas aos bancos e ao acesso ao crédito

Boulos afirmou que a implantação do programa Move Brasil Aplicativos, criado para facilitar a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativos, está encontrando resistência no sistema financeiro.

Segundo o ministro, muitos trabalhadores com nome limpo estão tendo pedidos de financiamento negados sob justificativas relacionadas a score de crédito, rating e avaliação de risco.

Para ele, a situação não se justifica porque a linha conta com um fundo garantidor do governo federal, justamente para reduzir o risco das operações.

O ministro também criticou a cobrança de entrada por algumas instituições financeiras e orientou os trabalhadores a procurarem outros bancos caso essa exigência seja feita. Outro problema apontado foi a dificuldade técnica de integração entre os sistemas bancários e o BNDES, responsável pela operacionalização da linha de crédito de R$ 30 bilhões.

Segundo Boulos, o governo pretende chamar os bancos para discutir a situação e corrigir as falhas que estariam atrasando o acesso ao programa.

Fim da escala 6 por 1 volta ao centro do debate

O ministro também voltou a defender a proposta que acaba com a tradicional jornada 6 x 1, em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso após seis dias consecutivos de trabalho.

“Estamos falando de tirar milhões de brasileiros da exaustão”, disse o ministro.

A matéria foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio e aguarda os próximos passos no Senado. Boulos criticou a demora na tramitação e afirmou que interesses econômicos estariam atuando para impedir o avanço da proposta.

Durante a entrevista, o ministro declarou que não vê justificativa para que uma pauta que, segundo ele, conta com amplo apoio popular permaneça parada há mais de um mês sem avançar para as etapas seguintes de análise.

Críticas ao Senado e aos setores empresariais

Boulos também direcionou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmando que a proposta não deveria permanecer sem encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O ministro acusou entidades empresariais de promoverem uma campanha de resistência ao projeto, argumentando que previsões de aumento generalizado de preços ou de dificuldades para a economia não seriam sustentadas por estudos apresentados pelos defensores da redução da jornada.

Para ele, o debate envolve qualidade de vida, descanso e convivência familiar para milhões de trabalhadores brasileiros.

Uma discussão que deve crescer

As declarações acontecem em meio a uma semana de intensa movimentação política em Brasília. Enquanto o governo busca ampliar programas voltados aos trabalhadores e defender mudanças nas relações de trabalho, representantes do setor produtivo seguem manifestando preocupação com possíveis impactos econômicos das propostas.

O resultado desse embate deverá influenciar tanto a implementação do Move Brasil quanto o futuro da proposta que pretende acabar com a escala estafante de seis dias de trabalho, para apenas um de descanso. Este é um dos temas que mais mobilizam trabalhadores e empregadores hoje em nosso país. Trabalhador não é máquina!

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