Fim da escala 6x1 avança no Senado e trabalhadores vão às ruas pressionar por aprovação

PEC que reduz jornada para 40 horas semanais recebeu relatório favorável na CCJ; em Curitiba, centrais sindicais se concentram no Largo da Ordem neste domingo (30)

Alcolumbre, Lula e Mota prometem esforço conjunto - PR

A luta pelo fim da escala 6x1 ganhou um novo capítulo no Senado. Enquanto a proposta avança no Congresso Nacional, trabalhadores e centrais sindicais também aumentam a pressão nas ruas. Em Curitiba, a mobilização está marcada para este domingo, 30 de agosto, com concentração das centrais sindicais no Largo da Ordem. A Força Sindical Paraná estará presente no ato.

O movimento acontece justamente quando a PEC 221/2019, que propõe mudanças na jornada de trabalho, recebeu um relatório favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou nesta quinta-feira (27) voto pela aprovação da proposta e rejeitou as 12 emendas apresentadas por senadores.

Trabalhador não é máquina

Para o movimento sindical, a discussão vai muito além de números ou de uma simples mudança na jornada. Trata-se de uma disputa por tempo de vida.

Quem trabalha seis dias para descansar apenas um enfrenta uma rotina que, em muitos casos, deixa pouco espaço para a família, para o lazer, para os estudos, para a convivência social e até para o próprio descanso.

Trabalhador não é máquina. E é justamente essa mensagem que estará nas ruas neste domingo: chegou a hora de pressionar o Senado para que o Congresso dê uma resposta à mobilização que vem crescendo pelo fim da escala 6x1.

O que muda com a PEC

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados e mantido pelo relatório de Omar Aziz propõe alterar a Constituição para reduzir a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

A proposta também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução de salário. Um dos dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo.

A mudança, porém, não seria imediata. A PEC estabelece uma transição.

  • Dois meses após a promulgação: jornada máxima de 42 horas semanais;
  • Após 12 meses: jornada máxima de 40 horas semanais;
  • Durante todo o processo: manutenção dos dois dias de repouso semanal remunerado.

O texto também preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas e prevê que uma lei possa estabelecer regras específicas para trabalhadores submetidos a regimes diferenciados.

Relator da matéria, o senador Omar Aziz apresentou seu voto favorável nesta quinta-feira Roque de Sá/Agência Senado  Fonte: Agência Senado
Relator da matéria, Omar Aziz apresentou voto favorável nesta quinta (27) - Roque de Sá/Ag. Senado

Uma mudança que ficou 38 anos esperando

Em seu relatório, Omar Aziz lembra que o limite de 44 horas semanais foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988 e permanece sem alteração há 38 anos.

Na avaliação do relator, a economia brasileira passou por profundas transformações nesse período, com aumento da produtividade, avanço tecnológico e mudanças na organização da produção.

Por isso, ele considera a redução da jornada uma atualização necessária — e não uma ruptura.

O senador também destaca que a proposta pode contribuir para um maior equilíbrio entre trabalho, saúde e vida pessoal, especialmente pela criação do segundo dia de repouso semanal remunerado.

Agora é pressão sobre o Senado

A PEC ganhou ainda mais peso na agenda política do Congresso. Na quarta-feira (26), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

Entre as matérias apontadas como prioritárias para os próximos dias está justamente a proposta que enfrenta a escala 6x1.

A expectativa é que a PEC seja analisada pela CCJ na próxima semana. Se aprovada, seguirá para o Plenário do Senado.

É aí que a mobilização dos trabalhadores ganha importância.

Não basta acompanhar a votação. É preciso mostrar aos senadores que existe gente de verdade por trás dessa pauta. Gente que acorda cedo, pega ônibus, enfrenta trânsito, bate cartão e passa boa parte da vida dentro do trabalho.

É por isso que as centrais sindicais estarão nas ruas. E é por isso que a Força Sindical Paraná estará no Largo da Ordem neste domingo.

Redução da jornada já é realidade em outros países

A discussão brasileira também acompanha uma tendência internacional. A própria Organização Internacional do Trabalho (OIT), por meio da Recomendação 116, de 1962, já defendia a redução progressiva da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial.

Na América Latina, outros países já avançaram nessa direção.

O Chile está reduzindo gradualmente sua jornada de 45 para 40 horas semanais. A Colômbia passou de 48 para 42 horas em etapas anuais. E o México aprovou, no início de 2026, um processo de redução de 48 para 40 horas, que será concluído até 2030.

Domingo é dia de mobilização

A batalha pela redução da jornada chegou a um momento decisivo. De um lado, uma proposta que pretende atualizar uma regra que permanece praticamente intocada desde a Constituição de 1988. Do outro, a pressão de setores que ainda resistem a mudanças na organização do trabalho.

Para quem vive a rotina da escala 6x1, entretanto, a discussão é muito mais simples.

É ter direito a mais tempo para viver.

Neste domingo, 30 de agosto, as centrais sindicais estarão no Largo da Ordem, em Curitiba. A Força Sindical Paraná estará presente.

Chegou a hora de pressionar o Senado.

Fim da escala 6x1. Mais descanso. Mais vida. Mais dignidade para quem trabalha.

Fonte: Agência Senado. Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado. Reportagem publicada em 27 de agosto de 2026.

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