Após SMC e Força Paraná, Fiep também coloca os candidatos na parede: qual projeto vai industrializar de verdade o Paraná?

Sandro Alex defende a continuidade de Ratinho Junior, Moro vende segurança jurídica e Requião Filho propõe recuperar o papel estratégico do Estado - ao SMC e à Força Paraná Requião Filho diz que quer cuidar de pessoas e não apenas de CNPJs

Sérgio Butka, o candidato Requião Filho (PDT), Nelsão da Força e o diretor do SMC Osvaldo Silveira - Divulgação

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) fez a mesma coisa que o SMC e a Força Paraná fizeram, e o que o eleitor paranaense deveria fazer durante toda a campanha: colocou os candidatos ao governo diante dos problemas reais do Paraná.

Não basta discurso bonito, promessa de campanha ou postagem em rede social. Quem pretende comandar o Estado precisa responder como vai reduzir o preço da energia, enfrentar os pedágios, melhorar a infraestrutura, qualificar trabalhadores e fazer a indústria paranaense voltar a crescer.

É essa a discussão que esteve em jogo no Encontro das Lideranças da Fiep, na terça-feira passada (25), durante a Expo Indústria, no Expotrade Pinhais.

A entidade apresentou aos candidatos uma Política Industrial do Paraná com 16 diretrizes, 100 estratégias e mais de 200 ações. Ou seja: não faltam problemas identificados. O que falta é saber quem tem coragem e projeto para enfrentá-los.

Sandro Alex: mais do mesmo

Sandro Alex entra no debate como o candidato da continuidade.

Apoiado pelo governador Ratinho Junior, o deputado federal representa a manutenção de um modelo que aposta fortemente nas concessões e na participação privada em áreas estratégicas.

O problema é que o Paraná já conhece essa receita.

O trabalhador conhece o preço dos pedágios. A indústria conhece o custo da energia. O empresário conhece as dificuldades logísticas. E o consumidor sabe que, no fim da conta, alguém paga por tudo isso.

Sandro defende a continuidade das concessões rodoviárias. Mas a pergunta que precisa ser feita é direta: continuidade para quem?

Se o Paraná é tão competitivo, por que o custo para transportar a produção continua sendo uma preocupação permanente do setor produtivo?

A Fiep também cobra redução das tarifas de energia e modernização tecnológica da indústria. É aí que a discussão fica ainda mais delicada para o candidato governista.

O atual governo avançou na privatização e na mudança do papel de empresas públicas. Agora, o candidato da situação precisa explicar por que o Estado deveria abrir mão de instrumentos que poderiam ser usados justamente para estimular a indústria e reduzir custos.

Moro terá de provar que sabe mais do que falar de segurança

Sergio Moro chega à Fiep com a vantagem das pesquisas, mas também com uma dívida política: mostrar que sua candidatura tem um projeto econômico para o Paraná que vá além do discurso conhecido de segurança pública e combate à corrupção.

Segurança jurídica é importante. Ninguém discorda. Mas indústria não funciona apenas com segurança jurídica. É preciso energia competitiva. É preciso estrada. É preciso ferrovia. É preciso crédito. É preciso trabalhador qualificado. É preciso tecnologia. E, principalmente, é preciso uma política industrial que saiba onde o Paraná quer chegar.

Moro promete atrair capital privado e estimular investimentos em tecnologia e inovação. Tudo isso pode parecer bonito no papel. Mas a Fiep cobra respostas concretas. O Paraná não precisa de "caça às bruxas", precisa industrialização.

Como formar trabalhadores para as novas indústrias? Como reduzir os custos de produção? Como agregar valor à soja, ao milho, à proteína animal e a toda a riqueza produzida no campo? Como transformar o Paraná de grande exportador de commodities em um Estado cada vez mais industrializado?

Essas são as perguntas que realmente interessam.

Requião Filho enfrenta o debate que os outros tentam evitar

É justamente nesse ponto que Requião Filho apresenta uma diferença de fundo. Requião Filho, o candidato apoiado pelo Papo Reto com o Nelsão e Amigos do Butka não trata o Estado como espectador da economia.

Requião Filho defende a recuperação do papel estratégico do poder público na economia paranaense. E isso significa enfrentar interesses poderosos.

Significa discutir os pedágios. Significa questionar privatizações. Significa defender empresas públicas estratégicas, discutir o preço da energia e colocar o desenvolvimento industrial, isso acima da lógica de simplesmente vender ativos públicos, ou transferir serviços essenciais para a iniciativa privada.

A discussão sobre a Copel é um dos exemplos mais claros. Para Requião Filho, uma empresa desse porte não pode ser avaliada apenas pelo quanto vale no mercado ou pelo resultado financeiro de um determinado ano.

Uma empresa pública estratégica também vale pelo que consegue produzir para o desenvolvimento do Estado. Energia barata significa indústria mais competitiva. Indústria competitiva significa investimento. Investimento significa emprego. E emprego significa renda para o trabalhador paranaense.

É uma cadeia que não pode ser ignorada. Esse foi um dos principais contrapontos que o candidato Requião Filho colocou aos seus adversários diretos. Não se pode privatizar uma empresa de energia elétrica e depois colocar a conta para o consumidor pagar. O que está acontecendo com a Sanepar é uma escalábrio. Terceirizações em escolas estaduais também não têm mostrado bons resultados.

Enquanto isso na saúde pública é médico que não marca, saúde que demora, fila que não anda. Enquanto o lucro dessas empresas estatais poderia estar sendo investido na saúde, está servindo de lucro para acionistas das bolsas de valores. Requião Filho quer mudar essa lógica.

Pedágio não é detalhe. É custo de produção

Outro ponto que coloca Requião Filho em confronto direto com o modelo atual é a questão dos pedágios. Durante anos, o Paraná ouviu que concessões seriam a solução para melhorar as rodovias e garantir investimentos.

Mas o empresário olha para a planilha de custos. O caminhoneiro olha para a cabine de cobrança. E o consumidor recebe a conta no preço final dos produtos.

Pedágio caro também é imposto sobre a produção.

Se custa mais caro transportar a mercadoria paranaense, o produto perde competitividade.

É por isso que a discussão sobre concessões rodoviárias não pode ser tratada como assunto técnico reservado aos gabinetes. É uma questão de desenvolvimento econômico. E Requião Filho está disposto a mexer nesse vespeiro.

O candidato do PDT já havia afirmado estes pontos importantes do seu plano de governo, ao assumir o compromisso de cuidar das trabalhadoras e dos trabalhadores paranaenses, durante a reunião com Sérgio Butka e Nelsão da Força durante encontro no SMC (Foto acima).

Industrializar ou continuar exportando matéria-prima?

Talvez essa seja a pergunta mais importante de toda a discussão. O Paraná é um gigante do agronegócio, mas não pode se contentar em produzir e exportar matéria-prima.

Precisamos transformar soja em produto industrializado, madeira em móveis, proteína animal em alimentos processados, produtos agrícolas em tecnologia e riqueza.

Não basta ser o Estado que produz. O Paraná precisa ser o Estado que transforma. E transformação exige política industrial. Exige planejamento. Exige investimento público e privado. Exige universidades, pesquisa, tecnologia, crédito e infraestrutura e exige um governo que tenha uma visão de longo prazo.

Três candidatos, três caminhos

A passagem pela Fiep deixa uma coisa evidente. Uma coisa que nós sindicalistas já havíamos percebido.

  • Sandro Alex representa a continuidade do projeto de Ratinho Junior. Moro apresenta uma agenda mais voltada à segurança jurídica e à atração do capital privado.

  • Requião Filho oferece uma alternativa baseada no planejamento público, na defesa das empresas estratégicas e na redução dos custos que pesam sobre trabalhadores e empresários.

  • Sérgio Moro parece querer promover apenas uma espécie de caixa as bruxas, sem apresentar propostas que venham efetivamente a beneficiar o trabalhador e a trabalhadora paranaense.

Não é apenas uma diferença de discurso. É uma diferença sobre o próprio papel do Estado.

De um lado, quem acredita que o caminho é continuar transferindo cada vez mais áreas estratégicas para a iniciativa privada, para as bolsas de valores.

Do outro, quem entende que o Estado pode abrir espaço para o capital privado, mas sem abandonar sua capacidade de planejar, investir e proteger setores essenciais. O estado também precisa ter lucro para poder reduzir impostos. Este lucro pode muito bem vir de empresas estatais administradas com eficiência.

O Papo Reto com o Nelsão fica com a segunda opção. Porque o Paraná não precisa de um governo que apenas administre o que já existe Precisa de um governo que tenha coragem de mudar o que não está funcionando. Precisa de energia mais barata, de justo. Infraestrutura de verdade e forte. Empregos de qualidade e empresas públicas utilizadas em favor do desenvolvimento, não tratadas simplesmente como ativos à venda.

Requião Filho entra nessa disputa defendendo exatamente essa ideia: o Paraná pode produzir muito mais, industrializar muito mais e gerar muito mais empregos — desde que o Estado volte a ter projeto, planejamento e coragem para enfrentar os interesses que lucram com o modelo atual.

É esse o debate que a Fiep colocou na mesa.

Papo reto: agora, cabe ao eleitor decidir quem tem projeto para tirar o Paraná do piloto automático e colocar o desenvolvimento industrial novamente no centro da política estadual. E os candidatos que ainda não vieram conversar com a gente, mostrar suas propostas e projetos para classe trabalhadora paranaense, reiteramos o convite.

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