Brasil cria 58,5 mil empregos formais em julho, aponta Novo Caged

Mercado de trabalho mantém saldo positivo, mas ritmo de geração de vagas desacelera; no acumulado do ano, país já abriu 972,2 mil postos com carteira assinada

Mercado de trabalho mantém saldo positivo, mas ritmo de geração de vagas desacelera; no acumulado do ano, país já abriu 972,2 mil postos com carteira assinada
Reprodução/Internet

O Brasil encerrou julho de 2026 com saldo positivo de 58.568 empregos formais, segundo os dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado é a diferença entre 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos registrados no mês.

Com o resultado de julho, o estoque de vínculos formais chegou a 48.082.866 postos de trabalho no país. Entre janeiro e julho, foram criados 972.203 empregos, crescimento de 2,06% no ano. Já nos 12 meses encerrados em julho, o saldo foi de 880.717 novos postos, com expansão de 1,87%.

Os números foram apresentados pelo MTE nesta sexta-feira (28), conforme o calendário oficial de divulgação do Novo Caged para 2026.

Julho mostra perda de ritmo na geração de empregos

Apesar de o resultado continuar positivo, julho chama atenção pela redução do ritmo de criação de vagas. Em junho, o mercado formal havia registrado saldo de 145.161 postos, de acordo com a divulgação anterior do MTE. Em julho, portanto, o saldo caiu de forma expressiva.

Isso não significa que o mercado formal tenha deixado de gerar empregos. Pelo contrário: o número de admissões continuou superior ao de desligamentos. O que os dados mostram é uma margem menor entre contratações e demissões.

O Novo Caged, vale lembrar, acompanha o mercado formal e é composto por informações captadas do eSocial, do Caged e do Empregador Web. O próprio MTE disponibiliza microdados e informações metodológicas do Novo Caged.

Serviços lideram a criação de vagas

Entre os cinco grandes grupamentos de atividade econômica, quatro apresentaram saldo positivo em julho.

O setor de Serviços liderou a geração de empregos, com 24.098 novos postos. Dentro desse segmento, o principal destaque ficou com as atividades de Transporte, Armazenagem e Correio, responsáveis por 15.222 vagas.

  • Construção: 12.691 empregos;
  • Agropecuária: 12.523;
  • Indústria: 11.315;
  • Comércio: -2.056.

O comércio foi, portanto, o único dos cinco grandes setores a terminar o mês com saldo negativo.

No acumulado de janeiro a julho, os Serviços também aparecem na liderança, com 591.519 postos criados, crescimento de 2,58%. A Construção abriu 180.449 vagas, a Indústria acumulou 154.052 e a Agropecuária, 54.106. O Comércio foi novamente a exceção, com saldo negativo de 7.896 postos no ano.

São Paulo lidera geração de empregos entre os estados

O resultado positivo também foi distribuído pela maior parte do território nacional. Em julho, 22 das 27 unidades da Federação registraram saldo positivo.

Em números absolutos, os maiores saldos foram registrados em:

  • São Paulo: 17.814 vagas;
  • Mato Grosso: 5.766;
  • Minas Gerais: 5.199.

Quando considerada a proporção em relação ao estoque de empregos, os maiores crescimentos ocorreram no Amazonas (0,63%), Mato Grosso (0,59%) e Piauí (0,52%).

No acumulado do ano, São Paulo também lidera, com 267.107 novos postos, seguido por Minas Gerais, com 113.981, e Paraná, com 68.243.

Jovens concentram boa parte do saldo

Os dados divulgados pelo MTE também permitem observar quem está ocupando as novas vagas.

Em julho, a população de até 24 anos apresentou saldo positivo de 89.425 postos, enquanto o grupo com mais de 25 anos registrou saldo negativo de 30.857.

Por escolaridade, trabalhadores com ensino médio completo tiveram saldo positivo de 50.675 vagas, enquanto aqueles com ensino médio incompleto registraram 12.027 novos postos.

O recorte por gênero mostrou saldo positivo tanto para homens quanto para mulheres: foram 38.085 vagas para homens e 20.483 para mulheres.

Salário médio de admissão sobe

Outro dado importante do levantamento é o comportamento da remuneração.

O salário médio real de admissão em julho chegou a R$ 2.419,23, alta de 0,6% em relação a junho, quando o valor havia sido de R$ 2.404,10.

Na comparação com julho de 2025, o aumento foi de R$ 48,38, equivalente a 2,04%.

Para os trabalhadores considerados típicos, o salário real médio de admissão chegou a R$ 2.456,27. Entre os trabalhadores classificados como não típicos, ficou em R$ 2.142,12.

O que os números dizem sobre o mercado de trabalho?

O retrato de julho é de um mercado de trabalho que continua criando empregos formais, mas em ritmo mais moderado.

O saldo de 58.568 vagas mantém o resultado de 2026 no campo positivo e leva o país a quase 1 milhão de novos postos formais apenas nos sete primeiros meses do ano. Ao mesmo tempo, a diferença entre admissões e desligamentos ficou bem menor em julho, sinalizando uma perda de força na geração líquida de empregos.

Os próximos resultados do Novo Caged serão importantes para saber se julho representa apenas uma oscilação pontual ou o início de uma trajetória mais prolongada de desaceleração.

Para quem acompanha emprego, renda e atividade econômica, o número que merece atenção não é apenas o saldo mensal, mas também a combinação entre contratações, desligamentos, salários e desempenho de cada setor.

E é justamente aí que os dados oficiais do Novo Caged ajudam a colocar o debate no lugar certo: além da manchete sobre quantas vagas foram criadas, é preciso entender onde estão sendo criadas, quem está ocupando esses postos e qual é a qualidade desse emprego.

Papo reto: o Brasil está dando certo e, em time que está ganhando, não se mexe. 

Os dados completos podem ser consultados no Programa de Disseminação das Estatísticas do Trabalho (PDET).

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