Tarifaço de Trump ameaça empregos no Brasil e exige resposta firme em defesa dos trabalhadores

Medida dos Estados Unidos vai muito além do comércio. Para o Papo Reto com o Nelsão, trata-se de uma pressão política que coloca em risco milhares de empregos e ataca a soberania nacional

 
Tarifaço de Trump ameaça empregos no Brasil e exige resposta firme em defesa dos trabalhadores. Medida dos Estados Unidos vai muito além do comércio. Para o Papo Reto com o Nelsão, trata-se de uma pressão política que coloca em risco milhares de empregos e ataca a soberania nacional.

Os trabalhadores brasileiros têm motivos de sobra para acompanhar com preocupação o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. A decisão do governo Donald Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% não atinge apenas empresas exportadoras. Ela ameaça toda uma cadeia produtiva formada por operários, agricultores, caminhoneiros, portuários, pequenos fornecedores e milhares de famílias que dependem da indústria nacional para colocar comida na mesa.

Quando um país decide dificultar a entrada de produtos brasileiros em seu mercado, quem sente primeiro o impacto é o trabalhador. Menos exportações significam menos produção. Menos produção pode significar redução de jornadas, suspensão de investimentos e, infelizmente, demissões.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu anunciando a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica e informou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC), defendendo que não existem fundamentos técnicos ou jurídicos para as medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Um ataque que vai além da economia

O próprio documento divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) demonstra que essa disputa ultrapassa as questões comerciais. Entre as justificativas apresentadas aparecem críticas ao Pix, à regulamentação das plataformas digitais, às políticas ambientais brasileiras e até à atuação do Estado brasileiro na defesa de seus interesses.

Isso mostra que o tarifaço não se resume a uma divergência sobre comércio internacional. Estamos diante de uma tentativa de pressionar o Brasil em temas que dizem respeito à sua soberania.

Nenhum país sério pode aceitar que decisões internas sejam condicionadas por ameaças econômicas externas. Aceitamos que o senhor Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da república tem ido aos Estados Unidos para servir ao nosso país numa bandeja de ouro ao presidente norte-americano.

Quem paga essa conta?

Grandes multinacionais possuem reservas financeiras para enfrentar momentos de crise. O trabalhador, não.

Quem corre o risco de perder o emprego é o metalúrgico da fábrica, o trabalhador do campo, o operador portuário, o motorista que transporta cargas, o pequeno empresário que fornece peças, serviços e matéria-prima para a indústria brasileira.

É justamente por isso que o movimento sindical precisa estar atento. Defender a indústria nacional significa defender empregos, salários, renda e dignidade para milhões de brasileiros.

A resposta precisa ser firme

O Brasil tem o direito de utilizar todos os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade e nos mecanismos da Organização Mundial do Comércio para contestar uma medida que o próprio setor empresarial norte-americano considerou prejudicial durante as audiências públicas promovidas pelo USTR.

Mais do que responder ao tarifaço, o governo precisa proteger os trabalhadores e os setores produtivos que poderão ser atingidos. Preservar empregos deve ser prioridade absoluta.

Ao mesmo tempo, é fundamental ampliar relações comerciais com outros mercados, fortalecendo a integração com os países da América Latina, do BRICS, da Ásia, da África e da União Europeia, reduzindo a dependência de qualquer parceiro comercial.

Papo reto

Não podemos aceitar que trabalhadores brasileiros paguem a conta de uma disputa política travestida de política comercial.

Quando um governo estrangeiro utiliza tarifas para pressionar outro país, quem sofre primeiro é quem acorda cedo todos os dias para produzir riqueza: a classe trabalhadora.

Os metalúrgicos sabem muito bem o que significa uma fábrica reduzir turnos, cancelar investimentos ou anunciar demissões. Por trás de cada posto de trabalho existe uma família inteira que depende daquele salário para viver com dignidade.

O Brasil precisa responder com firmeza, inteligência e soberania. Defender a indústria nacional é defender os empregos dos trabalhadores brasileiros. Defender a soberania é defender o direito de nosso povo decidir o seu próprio destino, sem interferências externas.

Nenhum trabalhador pode ser transformado em moeda de troca de interesses políticos internacionais.

Papo reto com o Nelsão

Este é um espaço dedicado à defesa dos trabalhadores, da democracia, da indústria nacional e do desenvolvimento do Brasil com justiça social.

Nelson Silva de Souza – Nelsão da Força
Vice-presidente da Força Sindical do Paraná
Vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba

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