Quem paga a conta da briga com os Estados Unidos? O trabalhador brasileiro não pode ser a vítima

Tarifas anunciadas pelo governo Trump acendem alerta para a indústria, os empregos e a soberania nacional

 
Quem paga a conta da briga com os Estados Unidos? O trabalhador brasileiro não pode ser a vítima. Tarifas anunciadas pelo governo Trump acendem alerta para a indústria, os empregos e a soberania nacional.
Fábrica da Caterpillar, indústria do setor metalúrgico que atua em Curitiba - AEN/PR

Enquanto muita gente acompanha a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos como se fosse apenas mais uma disputa entre governos, existe uma preocupação bem concreta que começa a surgir no chão das fábricas: quem vai pagar essa conta?

Quando Washington anuncia novas tarifas contra produtos brasileiros, não estamos falando apenas de números em relatórios econômicos ou de discussões entre diplomatas. Estamos falando de empregos. Estamos falando do salário que entra no fim do mês. Estamos falando das famílias que dependem da indústria para viver.

Na Região Metropolitana de Curitiba, por exemplo, milhares de trabalhadores atuam em empresas ligadas ao setor metalúrgico e automotivo. Algumas delas são multinacionais americanas que mantêm operações importantes no Brasil.

Quando o ambiente econômico entre os dois países se deteriora, surgem incertezas. Investimentos podem ser adiados. Projetos podem ser reavaliados. E quem está na linha de produção sabe que toda instabilidade gera preocupação. Não é alarmismo. É a realidade do mundo do trabalho.

O Brasil voltou a falar em indústria

Durante anos o país assistiu ao fechamento de fábricas, à redução da produção nacional e à transferência de empregos para outros mercados. Agora, aos poucos, o debate sobre reindustrialização voltou à pauta. Cada nova máquina instalada, cada ampliação de planta industrial e cada investimento produtivo representam oportunidades para milhares de trabalhadores e suas famílias.

Por isso, qualquer medida que coloque esse processo em risco precisa ser analisada com responsabilidade. O Brasil não precisa de menos indústria. Precisa de mais.

Precisa gerar empregos de qualidade. Precisa fortalecer sua produção. Precisa agregar valor ao que produz. Precisa criar perspectivas para a juventude que busca espaço no mercado de trabalho, seja qual foi a visão política, todos precisam de trabalho para viver.

Soberania não é palavra vazia

O governo brasileiro tem afirmado que o combate ao crime organizado deve acontecer por meio da cooperação internacional e não por decisões unilaterais que possam abrir espaço para interferências externas.

Essa discussão ganhou força depois que o governo Donald Trump decidiu classificar facções brasileiras como organizações terroristas e, poucos dias depois, passou a defender novas barreiras comerciais contra produtos do Brasil.

O tema vai muito além da segurança pública. Envolve relações diplomáticas, comércio internacional e a capacidade de o Brasil tomar decisões sem sofrer pressões externas.

E existe uma pergunta que continua sem resposta convincente: por que determinadas organizações criminosas entraram na lista americana enquanto grupos milicianos, em especial mineiros e cariocas, investigados há anos por práticas de extorsão e controle territorial em comunidades brasileiras, ficaram fora dessa classificação?

O questionamento segue sendo feito por especialistas, parlamentares e setores da sociedade civil. A família bolsonaro, no caso o ex-deputado Eduardo e seu irmão Flávio que é pré-candidato à presidência da república, nos pareceram irresponsáveis nas ações que tomaram recentemente.

O combate as organizações criminosas vem sendo desenvolvido há décadas num trabalho conjunto entre as polícias federais dos países envolvidos. Brasil e Estados Unidos tem cooperação no combate ao crime e as operações de sucesso são várias. A classificação americana é um exagero e um precedente perigoso contra a soberania nacional.

Emprego não pode virar munição política

No meio de toda essa disputa, quem mais preocupa o movimento sindical é o trabalhador comum. É o metalúrgico que acorda antes do amanhecer para pegar ônibus. É a trabalhadora que depende da estabilidade da fábrica para sustentar a casa. É o jovem aprendiz que sonha com uma oportunidade efetiva. É a família que precisa de segurança para planejar o futuro.

No entendimento editorial do Papo Reto com o Nelsão, divergências políticas fazem parte da democracia. O que não pode acontecer é o interesse nacional ficar em segundo plano. O Brasil precisa discutir seu futuro pensando em quem produz riqueza, movimenta a economia e faz as engrenagens do país girarem todos os dias.

Não existe patriotismo verdadeiro quando empregos brasileiros são colocados em risco. Não existe desenvolvimento sem indústria forte. E não existe projeto de país que possa ser considerado sério se ele não tiver como prioridade a proteção dos trabalhadores e da soberania nacional, e, esta é mais uma preocupação, um cuidado do governo Lula, porque do outro lado o que vemos são apenas aparentes projetos pessoais, e irresponsáveis, de poder.

Fale com o Nelsão: (41) 98411-6970 • WhatsApp

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Alexandre Guimarães reúne experiência e diálogo para representar Campo Largo na Assembleia Legislativa

MAGRÃO, PRESENTE!

Nelsão questiona Moro e cobra debate sobre o futuro do Paraná

Renato Fica: multidão vai às ruas contra cassação e denuncia perseguição política

Plenária de Tadeu Veneri reúne lideranças dos municípios e ilhas litoral, sindicais e movimentos sociais em Matinhos