Fim da escala 6x1 aprovado na Câmara após pressão histórica dos trabalhadores

Os Sindicatos sabem que a vitória na Câmara nasceu das assembleias, das portas de fábrica e da mobilização construída ao longo de décadas pelos trabalhadores 

Fim da escala 6x1 é aprovada na Câmara após pressão histórica dos trabalhadores. Os Sindicatos sabem que a vitória na Câmara nasceu das assembleias, das portas de fábrica e da mobilização construída ao longo de décadas pelos trabalhadores

A aprovação da PEC que acaba com a escala 6x1 na Câmara dos Deputados foi recebida com clima de vitória histórica entre trabalhadores e sindicatos de todo o país. Mas, dentro do movimento sindical, o discurso é direto: isso não foi presente de político. Foi direito conquistado na pressão. E essa pressão, segundo dirigentes sindicais, não começou agora. Vela abaixo o vídeo que o Nelsão postou no TikTok.

A luta pela redução da jornada acompanha o movimento sindical brasileiro desde os anos 1980, quando vários países europeus já discutiam modelos de trabalho com mais qualidade de vida, menos desgaste físico e mais tempo para convivência familiar.

Foi justamente durante a Constituinte de 1988 que sindicatos conseguiram uma das maiores vitórias daquele período: reduzir oficialmente a jornada semanal brasileira para 44 horas.

“Na Constituinte nós fizemos campanha, mobilização e pressão. Conseguimos avançar para as 44 horas, mas naquela época a redução gradual maior acabou não passando.”
— Nelsão

Desde então, segundo ele, os trabalhadores conviveram durante décadas com aumento da produtividade, avanço tecnológico e intensificação do ritmo de trabalho sem uma nova redução concreta da jornada.

“A tecnologia avançou, a produtividade aumentou, as empresas mudaram os sistemas de gestão, mas a pressão em cima do trabalhador também aumentou muito.”
— Nelsão

Mobilização começou logo no início da proposta

No Paraná, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) afirma que entrou na campanha pelo fim da escala 6x1 desde o início da discussão nacional sobre o tema.

Segundo dirigentes sindicais, desde que a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou a primeira proposta de redução da jornada, o sindicato passou a levar a pauta para assembleias, mobilizações e portas de fábrica em toda a região.

Todos os diretores sindicais participaram diretamente da campanha, reforçando a mobilização dentro das empresas e ampliando a pressão sobre parlamentares paranaenses.

Nas últimas semanas, a pauta explodiu nas redes sociais e ganhou força em diferentes categorias profissionais. Trabalhadores começaram a cobrar posicionamento público dos deputados, aumentando o desgaste político para quem pretendia votar contra.

Dentro do movimento sindical, a avaliação é de que a pressão foi tão intensa que muitos parlamentares que criticavam a proposta acabaram recuando.

“Teve deputado que sempre falou contra a redução da jornada, dizia que o mundo ia acabar, que empresa ia quebrar. Mas quando sentiu a pressão do trabalhador, acabou votando a favor.”
— Nelsão

Parlamentares evitaram confronto direto

Segundo lideranças sindicais, parte dos parlamentares conservadores tentou evitar confronto direto com o eleitorado durante a votação.

Alguns desapareceram da sessão. Outros preferiram silêncio, ausência estratégica ou baixa exposição pública para não carregar o desgaste político de votar contra uma pauta que ganhou apoio popular massivo. Mesmo assim, 19 deputados registraram voto contrário à proposta.

A PEC aprovada pela Câmara reduz gradualmente a jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial e prevê dois dias obrigatórios de descanso por semana.

Para sindicatos e trabalhadores, a proposta representa mais do que uma mudança trabalhista.

Representa a possibilidade de o trabalhador voltar a ter vida além do trabalho e do cansaço acumulado da rotina.

“O trabalhador precisa ter vida além do descanso.”
— Nelsão

 


Agora a pressão segue para o Senado

Após a aprovação na Câmara, sindicatos já começaram a reorganizar a mobilização para pressionar o Senado pela votação rápida da proposta.

A avaliação dentro do movimento sindical é de que a pressão não pode diminuir justamente agora.

“Agora a luta continua no Senado.”
— Nelsão

O sindicalista também defendeu que parte do empresariado precisa entender que produtividade não pode continuar sendo construída às custas de exaustão física, sobrecarga emocional e perda de convivência familiar.

“Chegou a hora de respeitar os trabalhadores também.”
— Nelsão

Entre dirigentes sindicais, a sensação é de que a votação desta semana entrou para a história do movimento trabalhista brasileiro. Mas ninguém fala em missão cumprida, em luta vencida. A próxima batalha já começou e a luta continua. 

Sindicato dos Metalúrgicos da grande Curitiba
Fale com o Nelsão: (41) 98411-6970 • WhatsApp

Imagens dos meses de luta pela aprovação do fim da escala 6x1. Uma luta dos trabalhadores que, além do descanso, também querem tempo para viver


Sindicato dos Metalúrgicos da grande Curitiba





















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