40 horas já: Nelsão cobra pressão popular sobre deputados e senadores
“Quando é para salvar partido, votam rápido. Quando é para melhorar a vida do trabalhador, empurram com a barriga”, dispara Nelsão da Força
Tem trabalhador chegando em casa exausto, trabalhadora exausta, sem tempo para jantar direito com a família. Tem pai e mãe vendo filho dormir antes de conseguir conversar cinco minutos. Tem gente vivendo no automático, entre ônibus lotado, expediente puxado e um corpo cada vez mais cansado.
É nesse clima de clamor popular, pelo fim da jornada 6x1, que voltou a ganhar força em Brasília a discussão sobre a votação da proposta que vai garantir a redução da jornada de trabalho no Brasil, sem diminuir o salário.
A Câmara dos Deputados discute atualmente propostas que defendem a redução da carga semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, além do enfrentamento da escala 6x1 — modelo em que o trabalhador folga apenas um dia na semana.
Uma das PECs em debate chegou a propor jornada de 36 horas semanais em quatro dias de trabalho. E é justamente aí que entra o recado direto do sindicalista Nelsão da Força.
“Queremos mais tempo para viver”
Nelsão lembra que o momento exige mobilização popular e pressão direta sobre deputados e senadores.
“Os trabalhadores e a sociedade precisam ficar de olho em quem vota contra a qualidade de vida do povo. Nós queremos 40 horas já, sem redução de salário. Queremos mais tempo para a família, para estudar, cuidar da saúde, descansar e também produzir melhor.”
Para ele, a redução da jornada não representa apenas uma pauta sindical, mas uma questão de saúde pública, dignidade e qualidade de vida.
Cobrança nas redes, nos sindicatos e até nas igrejas
O “Papo Reto com o Nelsão” defende que a pressão não pode ficar restrita aos corredores de Brasília.
A orientação é clara: cobrar parlamentares, prefeitos, governadores, lideranças sociais e religiosas.
“Tem que cobrar nas redes sociais, nos blogs, nos e-mails, no WhatsApp, na igreja, no sindicato, em todo lugar. O povo precisa pressionar para essa votação acontecer antes das eleições.”
Nos últimos meses, o debate ganhou força dentro e fora do Congresso, especialmente por causa do desgaste causado pela escala 6x1 e pelo aumento dos casos de adoecimento físico e mental relacionados ao excesso de trabalho.
“Para salvar partidos, tudo anda rápido”
Nelsão também critica o que considera uma diferença de tratamento dentro do Congresso Nacional.
Segundo ele, temas ligados aos interesses partidários costumam ser aprovados rapidamente, enquanto pautas trabalhistas seguem sendo adiadas.
“Quando é para aumentar fundo partidário, resolver dívida de partido ou mudar regra política, votam da noite para o dia. Não tem transição, não tem debate com a sociedade. Agora, quando é para melhorar a vida do trabalhador, aí dizem que precisa esperar.”
O sindicalista afirma que o Congresso precisa dar prioridade à discussão das 40 horas semanais ainda antes do próximo processo eleitoral.
“A saúde do trabalhador está no limite. O povo quer trabalhar, mas também quer viver”, conclui.
Fontes consultadas: Câmara dos Deputados e propostas em tramitação sobre redução da jornada de trabalho e mudanças na escala 6x1.

Comentários
Postar um comentário