A Verdade: Greve na Brose é exemplo de força e coragem da classe operária

 


Repressão violenta da polícia militar escancara contradição do serviço público na defesa da propriedade privada.

Julia Marinho e Lohan Cota | Redação Paraná


TRABALHADOR UNIDO – No final de dezembro de 2025, os operários da unidade da metalúrgica multinacional Brose localizada em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, cansados das péssimas condições de trabalho decidiram declarar estado de greve. O aumento do piso salarial e do vale alimentação (que era de apenas R$ 450) e o pagamento de PLR (participação nos lucros ou resultados) estavam entre as principais pautas de reivindicações dos trabalhadores.

Mesmo com lucros bilionários que superam os 5 bilhões de euros, a empresa paga um salário bem baixo em relação à outras do mesmo ramo, porém se recusava a dialogar com os trabalhadores. Como a empresa percebeu que a greve era inevitável, contratou mais de 50 funcionários temporários, para não deixar as máquinas paradas. Apesar disso, os funcionários não se intimidaram e declararam greve no dia 29 de janeiro.

Segurança para quem?

Desde o início da greve, os operários tiveram que enfrentar não só a sede de lucro dos patrões, mas também a violência da polícia militar comandada pelo governador fascista Ratinho Júnior (PSD). No dia 04 de fevereiro, agentes da PM cercaram, derrubaram e aplicaram um “mata-leão” no vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana (SMC) Nelsão da Força, que organizava uma assembleia com os operários. Além disso, fizeram o uso de sprays de pimenta para impedir outras reuniões dos trabalhadores na frente da fábrica. 

Enquanto os trabalhadores sofriam repressões violentas, para a polícia militar, a empresa fornecia almoço e janta, que tinha livre acesso à fábrica, mostrando assim à quem realmente a polícia serve.

Ao ver a polícia militar agindo à favor dos negociadores e prendendo os trabalhadores que exigiam respeito por suas reinvindicações, uma trabalhadora denunciou: “O serviço da polícia é fazer segurança do público, não do privado!”, disse ao Jornal A Verdade.

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