Pesquisa sacode o Paraná e reacende especulações sobre uma possível união contra Moro
Levantamento da Vox mostra Requião Filho consolidado em segundo lugar, Rafael Greca competitivo e aumenta a pressão sobre o grupo político de Ratinho Junior às vésperas das convenções
A política paranaense entrou no mês de julho com um daqueles movimentos que costumam acelerar conversas de bastidor, mudar estratégias e provocar noites mal dormidas em muitos gabinetes.
A nova pesquisa da Vox Brasil colocou mais lenha na fogueira da sucessão estadual. Sergio Moro continua liderando a corrida ao Palácio Iguaçu, mas o que chamou a atenção de muita gente foi outro detalhe: Requião Filho (PDT) aparece consolidado na segunda colocação e Rafael Greca (MDB) segue demonstrando força eleitoral, ambos à frente do candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior.
Não é difícil entender por que o levantamento repercutiu tanto nos corredores do Centro Cívico. No cenário principal, Moro aparece com 39,6% das intenções de voto. Requião Filho registra 20,8%. Rafael Greca surge logo atrás, com 17,8%. Já Sandro Alex, escolhido pelo PSD para representar a continuidade do atual governo, aparece com apenas 5%.
Em política, números não elegem ninguém antecipadamente. Mas também não costumam ser ignorados. Pesquisa após pesquisa pode se perceber que a campanha de Sandro Alex não decolou. E, quem acabou decolando, e viajando para os Estados Unidos foi o governador Ratinho Júnior.
Sinal de alerta no Palácio Iguaçu
O problema para o grupo governista não é apenas a liderança de Moro. O dado que mais preocupa aliados do governador é ver Sandro Alex atrás de dois adversários que não contam com a estrutura administrativa, com a máquina do Estado.
A máquina pública continua sendo poderosa. Governadores têm influência, prefeitos observam movimentos, deputados fazem contas e partidos analisam cenários. Mas a pesquisa sugere que, até agora, essa força ainda não se converteu em votos suficientes para colocar o candidato do PSD, do governador Ratinho Júnior, na disputa em condições mais competitivas.
A situação fica ainda mais delicada quando outros cenários são analisados. Sem Rafael Greca na disputa, Moro sobe para 47%, Requião Filho alcança 24,2% e Sandro permanece praticamente estacionado em 4,8%. Ou seja: a saída de Greca não impulsiona automaticamente o candidato governista.
Requião Filho ganha musculatura política
Entre os vários números apresentados pela Vox, um deles merece atenção especial. Requião Filho aparece de forma consistente como principal nome fora do campo conservador na disputa estadual. Mantém presença sólida nos diferentes cenários testados e demonstra ter uma base eleitoral consolidada.
Nos bastidores, isso fortalece a percepção de que seu nome não pode mais ser tratado apenas como uma candidatura simbólica ou de nicho. Ele passou a ocupar espaço relevante na corrida pelo governo, com chance eminente de ir para o segundo turno.
E é justamente aí que começam as especulações. Nos corredores da política, circulam comentários sobre a possibilidade de entendimentos futuros envolvendo setores que hoje orbitam em torno de Requião Filho e Rafael Greca. Não existe anúncio oficial, nem negociação pública confirmada. Mas quando pesquisas mostram dois candidatos competitivos dividindo um mesmo espaço do eleitorado, conversas inevitavelmente surgem.
Greca continua sendo peça importante
Se alguém imaginava que Rafael Greca (MDB) havia saído definitivamente do centro do tabuleiro político, a pesquisa mostra o contrário. O ex-prefeito de Curitiba continua aparecendo com desempenho expressivo e segue sendo citado em diferentes cenários de articulação para 2026.
Seu capital político, especialmente na capital e na Região Metropolitana (RMC), continua relevante. E isso ajuda a explicar por que seu nome permanece presente em praticamente todas as conversas sobre possíveis rearranjos dentro da base governista.
Também não faltam especulações envolvendo Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, outro ator importante na construção das alianças que deverão definir os rumos da eleição.
Julho pode mudar muita coisa
Enquanto isso, Ratinho Junior passa férias com a família nos Estados Unidos em um momento particularmente delicado para sua sucessão política. Aliados cobram definições. Prefeitos observam os números. Partidos fazem cálculos. E lideranças regionais tentam entender qual será a configuração definitiva dos palanques.
A convenção do PSD, marcada para 25 de julho, deve responder parte dessas dúvidas. Pelo menos oficialmente. Mas a política raramente se resolve apenas em convenções.
O Paraná entra na reta decisiva da pré-campanha com uma constatação clara: Moro lidera, Requião Filho se consolida, Greca continua vivo no jogo e o grupo governista ainda procura a fórmula para transformar a popularidade do governador e o poder administrativo do Estado em força eleitoral.
Daqui até outubro, muita água ainda pode passar por baixo da ponte. Mas uma coisa parece certa: a sucessão estadual está longe de ser uma história encerrada, já escrita. Papo reto é que até as eleições muita coisa pode mudar.

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